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segunda-feira, 21 de março de 2016

Os amores de Maria - consequências psicológicas da Segunda Guerra:


Drama humano no regresso de um soldado da Segunda Guerra Mundial.

A obra cinematográfica a respeito da Segunda Guerra Mundial, como se sabe, é bastante extensa. Neste blog, inclusive, há uma grande variedade delas, em postagens anteriores, que podem ser conferidas, na busca dos marcadores de cinema e história, por exemplo. No filme Os amores de Maria, de Andrei Kontchalovski, estrelado por Nastasja Kinski.
No filme de 1984, novamente a Segunda Guerra é retratada, mas não como confronto e sim, como uma volta pra casa de um soldado, Ivan, que ao chegar a sua cidade e à vida de antes, trás consigo todos os fantasmas da guerra, através das experiências que viveu, que na sua citação pura e simples torna-se aterrorizante para os ouvintes.
O olhar se volta para as consequências psicologicas do conflito. Os desgastes emocionais e os danos irreversíveis na vida de quem esteve em batalha. Tudo isso se faz presente em fantasmas e bloqueios que ficam sempre presentes na vida de quem esteve nas trincheiras.
Ao voltar pra casa, Ivan, pensa ser bastante simples retomar sua vida. Mas, ao procurar seu amor de adolescência, descobre que Maria já está em "outra". A vida seguiu para todos, o tempo não parou. Nesta retomada, o casal se une em matrimonio, mas não consegue consumar o casamento.
A dor e o sofrimento do casal, a exposição emocional das personagens mostra a fragilidade humana diante da guerra. Nessa experiência humana
, não há afastamento capaz de retirar as dores e as angustias vivenciadas. Em outras palavras, os dramas acompanham a vida humana aonde quer que vá, onde quer que esteja. 
Vale a reflexão, as belas fotografias e os detalhes dessa obra que registra uma época (o final da década de 1940) com riqueza de detalhes e mostra que os sentimentos humanos são atemporais. Os amores são de Maria, mas as angustias são as mesmas de Josés, Clarices, e todas as pessoas do mundo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Joana D'Arc - a heroína que atravessou os séculos:


Joana D'Arc foi uma brava mulher que ousou lutar pela França em plena Guerra dos Cem Anos.

Joana D'Arc foi uma jovem mulher francesa, que viveu num período muito conturbado da história do país: a Guerra dos Cem Anos. Pelo Tratado de Troyes, pelo qual após a morte do rei da França, o território seria anexado à Inglaterra. Ocorre que faleceram na mesma época ambos os monarcas e a França seria governada pelo novo rei, Henrique VI, que à época tinha menos de um ano de idade.
Diante da crise política, a jovem que sempre teve visões espirituais ao longo da vida, sentiu-se enviada por Deus para lutar contra o destino político da França. Se auto intitulando a Donzela de Lorraine, a jovem Joana D'Arc parte para a luta pela soberania de seu país, objetivando coroar o Rei Carlos.
Uma produção francesa de 1999, retratou toda a luta de Joana para coroar o rei e salvar a França das mãos dos ingleses. Na obra cinematográfica, a vida da heroína da França é revisitada desde o nascimento, passando pela infância e chegando aos momentos decisivos de sua vida. A trama mostra uma menina-mulher em sua vida familiar e a relação tribulada com o pai. O preconceito contra uma mulher lutadora também é bastante evidenciado, assim como a esperança da França em uma libertação da Inglaterra.
O ponto alto do filme são as batalhas empreendidas pela jovem para promover a coroação do Rei Carlos e os momentos cruciais que a levaram ao Tribunal da Santa Inquisição e sua posterior condenação à pena de morte. Na França, a figura de Joana D'Arc é bastante emblemática e embora tenha sido esquecida em alguns momentos, ao longo da História sempre foi relembrada em momentos cruciais como a Revolução Francesa e ao longo do século XIX, quando se fez necessário reavivar o sentimento nacionalista.
O papa Bento XV em 1920 reconheceu o seu martírio pelo bem da França e a canonizou, desde então ela é a padroeira daquele país, simbolo de bravura e reconhecidamente uma mulher a frente do seu tempo. Uma heroína que continua a inspirar as pessoas ao longo do tempo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Amor e Inocência: a história cinematográfica de Jane Austen


Jane e Thomas: um amor impossível para a sociedade de seu tempo.

Uma das autoras inglesas mais consagradas de todos os tempos, Jane Austen,  que entre outras obras escreveu Orgulho e Preconceito, também recebeu uma bonita homenagem cinematográfica. Inspirado em sua biografia, o filme Amor e Inocência, de 2007 mostra a autora como protagonista de sua vida real. 
A obra mostra o amor da escritora por Thomas Lefroy. Segundo alguns de seus biógrafos, Jane Austen teve na juventude uma história de amor que não teve êxito, mas teria sido a inspiração para que ela escrevesse sua obra mais famosa, justamente Orgulho e Preconceito (escrito em 1797 e publicado em 1813).
O filme é uma trama deliciosa e envolvente e se assemelha muito ao que se vê nas filmagens de suas obras fictícias, o que leva a crer que a autora reproduzia o cotidiano da sua vida na escrita de seus livros. Nas obras, se vê uma Inglaterra da transição dos séculos XVIII e XIX, em que imperava a aristocracia e onde o cenário das histórias é sempre o campo. 
Outra característica importante é o conflito entre a razão e o coração. A razão bem sabe que nesse período não pode haver um romance entre ricos e pobres. Já o coração, pouco se importa com essas convenções sociais.
A atriz que interpretou Jane Austen, Anne Hathaway, foi selecionada para o papel por sua semelhança física com a autora e por ser uma profunda estudiosa da vida dessa grande escritora inglesa, tendo feito mestrado sobre o universo de suas obras. 
É uma história belíssima que encanta ainda mais os apaixonados pelo universo de uma mulher que soube estar a frente de seu tempo e nos deixar um legado riquíssimo que nos faz conhecer outros tempos e nos encantar por eles pelo simples fato de o percebermos tão humanos e com dramas que nos são contemporâneos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O pianista - uma celebridade em apuros durante a Segunda Guerra:

Neste filme de 2002, do diretor Roman Polanski, nos é apresentada a biografia de Wladislaw Szpilman (1911-2000), um famoso pianista polonês, judeu, que trabalhava na rádio Varsóvia e que por ocasião do grande conflito militar, viu seu mundo desmoronar (literalmente). A trama mostra a dolorosa trajetória do artista famoso, que se viu de repente envolto ao horror da guerra, tendo a sua família destruída e sendo obrigado a viver sem dignidade após a tomada do território polonês pelos nazistas.
Mais que isso, a obra nos leva a refletir sobre a solidariedade, a amizade e a capacidade do ser humano de se superar em meio as adversidades que se apresentam no caminho. Wladislaw aceitou o que a vida lhe impôs e buscou a todo o custo viver com dignidade.
No entanto, aproveitando-se da situação, alguns amigos que lhe estenderam a mão nesse momento difícil, deram a um aproveitador a missão de cuidar do rapaz. O resultado disso, é que o mesmo usou os recursos doados para salvar a vida do pianista Szpilman, deixando-o a beira da morte por inanição. 
O pianista ainda teve que passar por muitos episódios de busca pela sobrevivência. Ao fugir do prédio atingido por um tanque, o pianista se viu em meio aos escombros de uma cidade destruída pela guerra. Eis que o inesperado acontece: um capitão nazista, Hosenfield (189-1952), o encontra e o liberta graças a sua música, sendo esse, certamente, o ponto mais comovente da história.
O capitão passa a alimentá-lo e uma inesperada amizade surge em meio ao horror da guerra. Posteriormente, o algoz teria o mesmo destino, mas não a mesma sorte. Szpilman sobrevive e trás consigo a gratidão pelo homem que salvou a sua vida. 
Inspirado numa história real, O Pianista nos leva a refletir sobre a guerra que é capaz de destruir tudo, menos o mais sublime que existe dentro de nós: a compaixão pelo outro que é o que de fato nos faz humanos.


 Wladislaw Spilman chora a destruição de Varsóvia.


Szpilman e Hosenfield: em meio a guerra, a música os aproxima, revelando o lado humano do capitão nazista,

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Aprender a aprender numa abordagem muito especial:

  


Nesta animação bastante interessante está contido um dos pressupostos da nossa Educação contemporânea que é preconizado até mesmo pela ONU para a área. O aprendizado é fundamental para a existência humana e uma das tarefas do homem é justamente se abrir para o aprender, algo tão essencial e indispensável.

Orgulho e preconceito - sentimentos e prestígio na Inglaterra do século XVIII:


Orgulho e preconceito: uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos.

Certamente esta é a mais bela de todas as histórias de amor reproduzidas pela literatura universal , tendo sido adaptada brilhantemente para o cinema, onde não há um beijo sequer, ficando a emoção da troca de afetos nos gestos, nos olhares e nas atitudes das personagens principais. O filme de 2005, retrata a obra de Jane Austen, escrita em 1797, que compõe a literatura inglesa.
A obra cinematográfica fez algumas adaptações e conta a história de amor que se estabelece entre Elizabeth Bennet - moça de origem humilde, cuja família não desperta a confiança de seu pretendente por mostrar-se demasiadamente interesseira - e Darcy um jovem rico que acompanha um amigo numa temporada no campo, a propriedade Netherfield. Na ocasião, o amigo de Darcy, o jovem Bingley aproxima-se das jovens camponesas e da sua vida simples. Ele,  no entanto,  mantem-se arrogante com todas as pompas e circunstancias que pode estabelecer para se mostrar diferente das demais pessoas que habitam o lugar.
Mas o coração que é mais traiçoeiro que qualquer outra parte do corpo humano, trai Darcy e ele acaba se apaixonando por Elizabeth (e ela por ele). Porém, o orgulho, que sempre surge para estragar as relações humanas, tornando-se uma barreira entre as pessoas, os afasta e depois de muito sofrerem ambos percebem que é impossível viverem separados.
No filme, assim como no livro, se explora grandemente as paixões humanas em suas nuances mais profundas, para que ao se deparar com a obra se possa pensar a respeito dos sentimentos humanos e toda a sua complexidade. A história se passa numa Inglaterra que cresce e está se tornando uma potencia mundial. Isso se pode ver na grandiosidade de cenários e figurinos sempre repletos de uma riqueza visivel.
A musica e a dança muito refinadas, mostram tempos bem prósperos e a estrutura social rígida inglesa em que a aristocracia deveria se conservar através de casamentos que garantissem a manutenção do status. Por outro lado, fica evidente que a classe menos abastada não possuía o mesmo acesso a cultura e educação, o que gerava preconceito por parte dos aristocratas.
O tema orgulho e preconceito, é portanto, as duas posturas muito comuns à época: orgulho por pertencer a uma condição social privilegiada e preconceito em relação aos demais, que não pertenciam a essa classe social. Jane Austen, com uma história de amor, usa o orgulho e o preconceito como impedimentos para que uma grande história de amor se concretizassem.
Se no livro a história pode ter alcançado um desfecho satisfatória, na vida das pessoas comuns, certamente o destino não foi o mesmo. Poder e prestígio se sobressaiam às questões humanas, inclusive, os sentimentos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Elizabeth: a rainha virgem


 Elizabeth conta a história de uma rainha corajosa em pleno século XVI.

No filme épico e muito bem produzido, em 1998, é mostrada a ascensão de Elizabeth I ao trono da Inglaterra, depois que a rainha e irmã por parte de pai,  a rainha Maria vem a falecer vítima de um tumor maligno.. Última governante da dinastia Tudor, a nova rainha é filha de Henrique VIII e Ana Bolena, antes de chegar ao trono havia sido presa por conspiração.
Para conter as crises geradas pela chegada da nova rainha ao poder e pelo contexto social, politico e econômico caótico, os conselheiros de Elizabeth querem a todo custo induzi-la ao matrimônio com outro rei europeu (da França ou da Espanha) a fim de apaziguar a situação. Porém,  envolvida emocionalmente com Robert Dudley, ela protela o máximo que pode e toma diversas decisões respeitando os desejos do seu conselho ministerial.
No decorrer da trama,  Elizabeth percebe o meio que a cerca e os inimigos que possui - do papa ao Duque de Norfolk. Assim,  ela sente-se cada vez mais segura como pessoa e como monarca e decide que o melhor para a condução política de seu país é um casamento: com o povo e com o país. 
A decisão de Elizabeth finaliza sua dinastia,  mas dá inicio a tempos prósperos na Inglaterra. É uma super produção que mostra os bastidores do poder e de maneira muito sucinta a biografia de uma das maiores personalidades da História de todos os tempos. Uma mulher que soube vencer todos os obstáculos e ir de encontro aos interesses de seus súditos. 

O Barão Vermelho - dimensão humana em meio a guerra:


Em O Barão Vermelho a dimensão humana do maior aviador alemão é ressaltada para mostrá-lo em combate durante a Primeira Guerra.

Essa obra cinematográfica é bastante interessante por retratar a Primeira Guerra Mundial, tendo como base os acontecimentos que envolveram o barão Manfred Von Richtofen, conhecido como o Barão Vermelho. O apelido alude ao avião comandado por Manfred em combates de guerra. Exímio aviador, ele protagonizou batalhas importantes representando uma Alemanha bastante enfraquecida num conflito marcado sobretudo pelo uso de novas tecnologias bélicas e pelo uso de trincheiras, que foram facilmente vencidas justamente pelo uso de aviões nos combates.
A importante reflexão dessa obra se dá pela diferença de tratamento dado aos combatentes: os soldados rasos, sem berço nobre, eram expostos a condições degradantes nos combates e mais ainda, para receber auxilio médico em caso de ferimentos ou mutilações. As regalias concedidas aos combatentes que vinham de condições sociais melhores fica bastante nítida em diversos momentos do filme.
Contudo, chama bastante atenção a dimensão humana de Manfred que possuía uma personalidade centrada não apenas nos interesses de guerra, mas em valores humanos como os de qualquer outra pessoa. Tido como um mito da aviação, no filme ele não é retratado como soberbo ou arrogante, mas cônscio de suas responsabilidades proporcionais ao tamanho da confiança que a Alemanha depositava nele. era considerado um às dos ases da aviação. Traduzindo o melhor de todos os pilotos de seu tempo.
Porém o desfecho dessa história não poderia ser feliz. Os alemães foram vencidos no conflito e como não poderia deixar de ser, a personagem principal do filme chega ao final do filme da maneira como certamente gostaria: morrendo em combate. Mas ao invés da tristeza, fica a sua memória e as suas realizações.
Certamente é um olhar bastante diferenciado a respeito da Primeira Guerra Mundial e da derrota sobre a Tríplice Aliança. Neste caso, se pode olhar o prisma de quem perdeu a guerra. Nada mau, afinal, todo fato tem várias versões, não é mesmo?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O menino do pijama listrado - inocência e dor:

 
 Um menino alemão e um judeu sendo apenas meninos.
 
A trama gira em torno do menino Bruno, filho de um comandante do exército nazista, que muda com a família para uma casa no campo, próxima a um campo de concentração, no período mais sangrento da Segunda Guerra Mundial. Familiarizado com a nova residência, o menino resolve explorar o entorno e descobre atrás de uma cerca um amigo da sua idade, que usa um pijama listrado (veste de prisioneiro).
A amizade entre os dois meninos cresce dia a dia longe dos olhos da família de Bruno que jamais pode supor que o filho caçula está se relacionando com um menino judeu. Após uma atitude lamentável de Bruno, que finge desconhecer o amigo, que leva uma surra, o menino tenta se redimir numa atitude que envolverá a todos e mostrará o quão cruel e doloroso é o plano de Hitler para o "progresso" da Alemanha. Uma linda história que mostra a inocência de duas crianças diante do horror do holocausto e a dor gerada por ele. Envolvente e emocionante, esse é o menino do pijama listrado.

A menina que roubava livros - uma história sensível de amor e amizade:


Liesel e Max - nem a guerra conseguiu destruir a humanidade da menina.
 
A história é narrada por ninguém menos que a morte. Ela que um dia chega para por um ponto final na vida de todos os mortais. A personagem, não muito usual nos romances, dá a sua versão dos fatos num dos muitos episódios da Segunda Guerra Mundial. Neste caso, a morte quer contar a vida de uma menina que viveu numa pequena cidade alemã.
Embora o titulo do livro de Markus Zusak e do filme baseado na obra literária, sejam relativos a um ato que demonstra falta de caráter, a história é doce, pois trata de uma menina, Liesel,  que se vê em meio a perda do irmão e numa situação totalmente nova e inesperada: é entregue pela mãe à adoção, no auge dos seus 12 anos. Tendo agora como pais adotivos um casal alemão de personalidades completamente distintas: a mãe, Rosa,  um vendaval e o pai, Hans, uma calmaria. A menina teve que superar seu analfabetismo juvenil e com a ajuda do pai e o apoio de um novo amigo, Rudy, enfrentar suas dificuldades pessoais e as enfrentadas por todos durante a guerra.
O ponto central da história, no entanto, é o auxilio dado pela nova família de Liesel, os Huberman, a Max, judeu, filho de alguém que salvara Hans durante a Primeira Guerra Mundial. Tal ação em pleno governo de Hitler poderia significar a morte de todos, mas a família se uniu em torno da vida do hospede e a menina, para salvá-lo, resolveu empreender uma ação das mais ousadas.
O fato é que a história faz pensar na lealdade, nos valores humanos e nas verdadeiras amizades que se firmam por sentimentos de generosidade, compaixão e amor ao próximo, no sentido mais puro da palavra. Mesmo nos momentos de crise, é possível manter-se humano e lúcido? Essas são as reflexões mais sensíveis de uma história tão delicada que nem a morte é capaz de ofuscar o brilho.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O caçador de pipas - mensagem fundamental:

 
Hassan e Amir em O caçador de pipas - amizade e fidelidade até o fim.
 
Nos últimos anos, uma das leituras fundamentais, foi um livro que para nós brasileiros, foi intitulado O caçador de pipas, publicado em 2003. Trata-se de uma história rica em significados humanos e históricos, afinal, o homem não se separa da história e vice-versa. Tendo como pano de fundo o Afeganistão  da década de 1970, a história mostra a amizade entre dois meninos de classes sociais bem diferentes.
A amizade e a fidelidade do menino pobre pelo rico é o que mais chama a atenção, bem como a superioridade e a covardia do último, que diante de algumas situações se esconde e não se posiciona em favor do amigo. O elemento principal da história é a pipa, fundamental no país enquanto este encontrava-se livre no período após o fim da monarquia, antes da invasão soviética, onde havia concursos de pipas que íam docemente aos céus bailar e colorir com sua leveza e suavidade, mesmo nos momentos ainda incertos do país afegão.
Chama a atenção além da amizade entre Amir e Hassan, a violência velada empregada por um rapaz mais velho, que não perdia nenhuma oportunidade para humilhar Hassan, tendo chegado a violenta-lo e a fidelidade do menino por seu amigo e filho do patrão de seu pai. A omissão de Amir também é algo que gera bastante reflexão, pois diante de algumas situações, por medo ou por covardia, as pessoas se escondem dos problemas ao invés de enfrenta-los.
Para se livrar da culpa, Amir prefere se livrar do amigo e companheiro, tramando contra ele, coloca nas coisas do menino objetos pessoais, o que gera a demissão do pai do menino, que não aceita o perdão do patrão. Após a invasão da União Soviética, Amir e seu pai fogem, primeiro para o Paquistão, depois para os Estados Unidos.
A vida segue e o menino, agora um homem, tem a oportunidade de reparar seus erros juvenis. Em 1999, Amir retorna ao Afeganistão, agora devastado por uma guerra civil e dominado pelo Taleban, num cenário de devastação, ele tem a missão mais difícil de sua vida: encontrar Sohrab, filho de Hassan, seu sobrinho. O menino tornara-se prisioneiro e escravo sexual de um dos líderes do Taleban.
Terá Amir se redimido do passado e reescrito uma nova história? Isso só lendo ou conferindo o filme para saber. É uma história que nos faz ser caçadores de nós mesmos, dos nossos valores internos e da nossa própria coragem ou ousadia diante da vida.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um pouquinho de Brasil por Beto Guilherme:



Na semana da Pátria, em que se comemoram 192 anos da Independência do Brasil, aproveito esse espaço para compartilhar mais uma obra do grande professor Beto Guilherme (do qual tenho a honra de ser colega de trabalho). Trata-se do vídeo Um pouquinho de Brasil, no qual o autor reflete a cerca do Hino Nacional Brasileiro, dialogando com o filme Independência ou Morte e uma brilhante explicação dada pelo professor Sérgio Nogueira, além de celebrar importantes personalidades do esporte brasileiro. O vídeo de 2009, tem feito grande sucesso na internet desde então. Perfeito para quem quer saber mais a respeito dessa importante obra da iconografia nacional. Um hino, muito mais que um cântico é o símbolo de um povo. 

sábado, 23 de agosto de 2014

OS AMIGOS - qual o valor de uma grande amizade?



Em novembro, chegará as telonas de todo o Brasil, o filme Os Amigos, que trata de um grande tema: a amizade. Esse que é um sentimento tão nobre e verdadeiro que nos acompanha a vida toda e que é fundamental em todas as fases da vida. 
Com atores conhecidos nacionalmente, como Dira Paes, Marco Ricca, Caio Blat, entre outros, a produção cinematográfica conta com a participação da nossa querida professora de Literatura (e grande atriz) Teka Romualdo, que leciona na E.E. Charles de Gaulle e na E.E. República do Suriname (o Iná). O filme que foi produzido em 2012,  participou dos festivais de Gramado e do Rio de Janeiro e foi muito elogiado por quem já pode assistir a obra.
Enquanto novembro não chega, podemos e devemos aguardar com ansiedade e valorizando as pessoas mais próximas, a quem temos o privilégio de chamar de amigos. As verdadeiras amizades são tão importantes quanto os grandes amores, não é mesmo?!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A Rainha - a crise que poderia ter arruinado a monarquia inglesa no século XX:


Cena do filme A Rainha de 2006, o então Primeiro- Ministro, Tony Blair cumprimenta Elizabeth II, cometendo uma gafe. 

Embora a personagem mais citada no filme seja a Princesa Diana, o filme A Rainha mostra a crise que se instalou na Inglaterra em 1997, quando o Primeiro-Ministro Tony Blair assume o poder e pouco depois, a mãe de Willian e Hary - já divorciada do Príncipe Charles - falece em um acidente em Paris. Por acreditar que a morte de Diana era um assunto privado e não assunto de Estado, a Elizabeth II toma uma série de atitudes equivocadas, mas é alertada a tempo por Blair. 
O filme mostra os supostos bastidores de uma semana tensa e humaniza sobremaneira a Família Real Britânica, mostrando a corte com sutileza e de maneira delicada, sem expor ninguém de fato. É interessante analisar também as habilidades dessa mulher forte e muito dona de si, capaz de atos até então impensados para os súditos que a admiram no mundo todo. Como conceber uma rainha dirigindo, caçando ou entendendo de veículos de tração nas quatro rodas? 
Outro destaque vai para a crise iminente na monarquia inglesa diante da recusa da rainha em tratar do luto nos primeiros dias após a tragédia e de todo o esforço de seu Primeiro-Ministro para fazê-la transmitir aos súditos uma mensagem de luto. Ao mesmo tempo, é perceptível que os valores da monarquia soam destoantes aos nossos dias e que mesmo assim, ela consegue ter uma visão de profunda lucidez sobre a política de nosso tempo. 
Enfim, é um filme que nos faz refletir sobre aspectos políticos e humanos e entender que os fatos históricos possuem não apenas inúmeros pontos de vista, mas muitas maneiras de percepção. O que para os simples mortais é apenas mais um escândalo, pode significar problemas familiares sobre os quais se tem duvidas mas não o controle de sua exposição. 
A rainha da Inglaterra é a representante da monarquia do Reino Unido que é formado pela Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) e Irlanda do Norte. Seu poder se estende a outros lugares como: Jamaica, Barbados, Granada, Papua Nova-Guiné, entre outros territórios americanos.O poder político da Inglaterra, especificamente, pertence ao Parlamento desde a Idade Média, quando no século XIII, se constituiu após a promulgação da Carta Magna e por determinação do Rei Eduardo I. O reinado de Elizabeth II, teve inicio em 1952, após a morte de seu pai Jorge VI. Além de rainha, ela também é responsável pela Igreja da Inglaterra. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Eles não usam blackie-tie - greve e peleguismo:

Durante o governo JK, nem tudo era bossa nova e desenvolvimento. Havia também descontentamento com os rumos políticos do pais. O teatro de Arena, na Consolação, em São Paulo, era palco de peças de cunho sócio-político, nas quais se discutia temas ácidos presentes na sociedade. Em Eles não usam blackie-tie, o autor da peça, Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) discute um tema muito polêmico: greve e peleguismo. 


Gianfrancesco Guarnieri e Fernanda Montenegro vivem um drama familiar em Eles não usam Blackie-tie

Greve é quando os trabalhadores se recusam a trabalhar para cobrar dos patrões melhores condições de salário e de trabalho e pelego é o trabalhador que se recusa a participar desse movimento.O título é uma referencia as roupas chiques usadas pela elite, em detrimento das roupas simples e uniformes utilizados pelo trabalhador. Na peça, depois transformada em filme, discutia-se a situação da vida operária no país. Sucesso de bilheteria, salvou o teatro da falência e ficou em cartaz por mais de um ano - algo inédito no teatro brasileiro até aquele momento.


Tião e Maria vivem um drama: a gravidez dela. Diante do novo contexto ele deve participar da greve promovida pelo próprio pai?

O filme, de 1981, foi estrelado pelo próprio autor e grande elenco (Bete Mendes, Carlos Alberto Riccelli, Fernanda Montenegro, Francisco Milani, Léia Abramo, entre outros). A trama se desenvolve em torno da história de Tião e Maria. Ao engravidar a namorada, o rapaz se vê na obrigação de casar-se. Para não perder o emprego, ele fura a greve liderada pelo próprio pai. Do conflito familiar aos piquetes, é possível refletir sobre o Brasil que ainda não havia se democratizado, sobre o trabalho e questões éticas e morais contidas nas relações profissionais e pessoais. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O último dia de Alice:



Republico esse vídeo, na verdade um curta-metragem que publiquei no blog há 4 anos, do qual participou minha aluna na época, Jéssica Mendes. O tempo não apaga a nossa história, não é mesmo? Ex-alunos que quiserem compartilhar seus trabalhos fiquem a vontade. 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Batismo de sangue - uma reflexão:

Caio Blat e Daniel de Oliveira, respectivamente Frei Betto e Frei Tito, em Batismo de Sangue.


Para refletir a cerca da Ditadura Militar das décadas de 60 e 70 do século XX, alunos do terceiro ano passaram pela incrível experiência de analisar uma obra cinematográfica, como documento histórico. Tal análise se deu através da leitura do filme Batismo de Sangue (dir. Hevélcio Ratton, 2003, baseado no livro homonimo de Frei Betto).

Trata-se da biografia de Frei Tito, um frade dominicano preso, torturado e exilado pelos militares, que não aguentando a memória dos dias cruéis que passou no DEOP'S, se suicidou no exílio. O filme retrata momentos marcantes, como o Congresso da UNE em 1968 e o assassinato de Carlos Marighella.

O drama foi escolhido, para que a partir da experiência visual, o corpo discente pudesse compor seu próprio entendimento a respeito do tema. Após o contato com esse material, houve um momento de reflexão em torno do tema e o estudo direcionado. Vejamos a produção intelectual dos terceiro anistas do Ensino Médio:

1 - O que levou Frei Tito à perda da fé?

"O trauma causado pelas torturas que sofreu."
(João Víctor - 3ºC)

"A tortura psicológica e física que ele sofreu e a impossibilidade de realizar seus anseios políticos, diante do momento da ditadura."
(Nataly - 3ºC)

"Após ser torturado, Frei Tito nunca mais foi o mesmo. Torturas não só físicas, mas também psicológicas, fizeram com que ele ficasse perturbado, confuso de sua fé."
(Fernanda - 3ºB)

"A perda da fé de Tito ocorreu devido ao grande número de torturas que ele sofreu. Isso fez com que ele ficasse perturbado, não tendo consciência do que estava fazendo."
(Tiago Grobas - 3ºB)

"Devido ao sofrimento que passou, com as torturas, as fugas, o medo e etc. Tudo aquilo se agravou em Tito, o terror que se instalou dentro de si o traumatizou, a depressão estava o levando a loucura. Com essa instabilidade mental, Deus já não faz mais sentido."
(Tauane - 3ºA)

"Frei Tito perdeu sua fé após sofrer diversas torturas, ele perdeu a fé na vida, no homem e na sociedade, pois na época em que viveu, não havia liberdade e ele acabou pensando que era inútil e que não podia modificar a situação."
(Gabriela - 3ºA)

2 - Como agiam os militares com relação aos opositores?

"Agiam com crueldade, sempre repreendendo, torturando, perseguindo e zombando dos opositores."
(Jéssica Mendes - 3ºC)

"Eles agiam de forma cruel, fazendo com que seus opositores se submetessem à tortura e às humilhações."
(Tamires Santos - 3ºC)

"Os militares perseguiam, torturavam, matavam, desapareciam com pessoas e faziam várias coisas ruins contra aqueles que não eram a favor do sistema."
(Ana - 3ºB)

"Eles torturavam fisica e mentalmente, matavam e impunham medo e terror aos opositores."
(Lígia - 3ºC)

"Com violência, sem dó nem piedade, além da tortura psicológica, os opositores eram espancados como se fossem animais e também várias pessoas foram alvejadas."
(Valéria - 3ºA)

"Os militares perseguiam, agrediam e torturavam as pessoas que acreditavam ser seus inimigos. Praticavam uma justiça abominável, sem respeito, sem humanidade."
(Gabriela -3ºA)