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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Qual o motivo de tantos ataques a França atualmente?

Diante dos últimos acontecimentos que colocam a França como principal alvo de atentados terroristas e outros fatos igualmente lamentáveis; o Blog Luana Ensina foi ouvir a opinião de um especialista a esse respeito. Vejamos uma breve análise feita com exclusividade para os nossos leitores:


Para entender a origem do que acontece na França atual, é preciso olhar para os tempos medievais.

"O sacerdote degolado esta semana (supostamente pelos adeptos do Daesh – chamado pela imprensa de um modo geral de Estado Islâmico) revela-nos uma das concepções do Daesh, a cerca da França. Para eles, a França estaria entre os seus principais inimigos, sendo mesmo considerado o inimigo numero um, porque eles acham que os franceses precisam ser condenados porque a Igreja desde a Idade Média, durante as Cruzadas enviou a maioria das tropas que partiam para converter os povos com seus soldados cruzados e camponeses, objetivando retomar Jerusalém e outros lugares tão importantes; para a Cristandade. Esses locais eram (e são) importantes para judeus, cristãos e muçulmanos.
A França, além de ser o país mais cristão da Europa; ela sempre está envolvida nos conflitos mundiais ao lado de países cristãos; como os Estados Unidos. Por exemplo, a França ajudou a atacar a Líbia; o Iraque; enviou tropas ao Afeganistão e mais recentemente; a Síria – com bombardeios partindo de aviões franceses. Mas; apesar de estar ao lado de nações cristãs; a França não se posiciona claramente; não se assume cristã. Preferem a fala da liberdade religiosa. Não assumem uma identidade cristã de fato.
O Daesh, por sua vez; diz que isso é errado. Que os franceses deveriam assumir uma posição religiosa de fato. Nesse contexto, a degola do sacerdote católico, ocorrida esta semana, é um símbolo do enforcamento da França e o enforcamento da Igreja cristã." 

Fabiano Batista - Professor de Ciências Humanas na Rede Particular de Ensino de S. Paulo, especialista em Ciências Sociais pela FESSP e em Globalização e Cultura pela Universitat de Barcelona. Atua no mundo do samba como Fabiano Melodia, tendo diversas passagens por Escolas de Samba de São Paulo e Rio de Janeiro. 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Breve análise da atual crise política e da democracia brasileiras:


O cartunista Mário Tarcitano ilustra bem a ideia do convidado: a Constituição sente-se atacada por todos os lados, bem como a democracia.

"A palavra democracia tem origem no grego demokratía que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder). Neste sistema político, o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal". Pois bem, dado o conceito de democracia, penso eu que o que temos hoje na atual conjuntura política nacional é uma afronta a nossa democracia, temos nossa presidente da republica Dilma Rousseff, sendo acusada por crime de responsabilidade fiscal, mas sabemos também que crime de responsabilidade não é ato doloso segundo o homem que fez a defesa do impedimento da presidente Dilma, o advogado geral da união, José Eduardo Cardozo. O que seria um ato doloso segundo Cardozo? Seria um ato que fere a constituição por não ter sido cometido no atual mandato e de forma indireta pela presidente. O que vemos é um ato que  se alimenta de uma vingança do presidente da câmara, Eduardo Cunha para com nossa presidente em razão de o PT ter decidido votar no ano passado pela abertura de um processo contra o peemedebista no Conselho de Ética na Casa. E a Democracia nesse circo todo assim corre risco, porque se acusa passando por cima da constituição que é clara ao dizer que um presidente deve ser eleito pelo seu povo, obedecendo o conceito de democracia, isso me cheira a um golpe, um golpe com todas as características de um golpe clássico. A mídia faz campanha descarada, perderam o senso da imparcialidade da mídia, partiram pro tudo ou nada, a mesma globo e cia que participou do golpe de 1964, hoje segue firme e forte na tentativa de mais um... E o Lula ? Coitado está mortinho politicamente falando, "só que não", tentaram manchar a imagem do ex presidente  mas sua última aparição em fortaleza  debaixo de chuva levou milhares para as ruas... É amigo... a mesma democracia que é ferida fere também, fere essa gente que acha que vão tirar uma presidente eleita por um povo nas urnas, a galera do filé mignon,  fere no sentido de mostrar que se existe os golpistas de camiseta da seleção brasileira, também tem os vermelhos mortadela do outro lado fazendo o choque dos contrários, a oposição, a resistência a essa tentativa de golpe, e a democracia dar esse direito ... De uma coisa eu sei, quer ser presidente da república? esperem até as próximas eleições e façam melhor, porque como postei nas redes a dois anos atrás: depois da Dilma ainda tem o Lula... e viva a democracia, e toda resistência a qualquer tipo de golpe.

Flávio Vieira é professor de Filosofia na Rede Estadual de São Paulo e nos últimos meses tem se dedicado a entender o processo político atual.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Voar, voar! Subir, subir! Débora: a comissária de bordo


O céu é o limite. Quantas vezes já ouvimos essa expressão? Provavelmente incontáveis. Mas será mesmo? Para pilotos e comissários de bordo, nem o céu é o limite, pois é no ar que se desenvolve o seu cotidiano profissional. Entre viagens de ida e volta aos destinos mais variados, a tripulação de bordo cuida da segurança de todos e ainda conduz a todos ao destino desejado.
Por muito tempo, as comissárias de bordo permaneceram no imaginário dos brasileiros por sua beleza, até mesmo sensualidade e por sua coragem. Com a popularização das viagens de avião, essas profissionais são valorizadas por serem prestativas, sendo reconhecidas por auxiliar na segurança de bordo. A aparência frágil, muitas vezes, esconde a coragem e uma técnica apurada que visa garantir o bem estar de todos.
Ao contrário do que muitos imaginam, essa profissão não é uma exclusividade feminina. Muitos homens são comissários de bordo e como suas colegas mulheres, exercem brilhantemente o seu papel auxiliando os passageiros nas viagens.
Na composição desse post, entrevistei brevemente Débora Zuliani, que foi comissária de bordo das principais companhias aéreas do Brasil entre o final da década de 1990 e meados da primeira década dos anos 2000. Esposa de piloto, hoje ela vive com o marido fora do Brasil e não exerce mais a profissão, mas vive envolvida nesse mundo e tem uma paixão que se expressa em cada palavra compartilhada com o Luana Ensina, como pode-se ler a seguir:

Luana Ensina - Como surgiu o desejo de ser comissária de bordo? O que é preciso estudar para se tornar uma?

Débora Zuliani - Nasci e fui criada em uma cidade que respira aviação - Itápolis, no interior do Estado de São Paulo, a 360 km de São Paulo - Lá tem uma das melhores escolas para piloto do Brasil. Meu pai era piloto aposentado. Comecei a namorar com um colega de profissão do meu pai e veio a vontade louca de viver nesse meio e de trabalhar com aviões. Sempre fui apaixonada pela aviação. Para se tornar comissária é preciso fazer um curso e ter uma altura minima, não sei qual é atualmente, corpo proporcional, vontade de lidar com o público. Ser atenta ou atento à segurança. Comissário de bordo, nada mais é que o responsável pelo bem estar e segurança dos clientes a bordo.

Luana Ensina - E o curso de comissaria de bordo? O que mais te chamou a atenção nessa formação/preparação?

Débora Zuliani - O curso é voltado principalmente para a segurança de bordo. Isso é o mais importante. Depois, vem psicologia, etiqueta e maquiagem - no caso, para as garotas.

Luana Ensina - De que maneira você define o cotidiano de uma comissária de bordo?

Débora Zuliani - Pela falta de rotina. Falta de convivência com a família, muitas vezes. Viagens. Passeios. Mas é uma vida sem regras. Sem horários.

Luana Ensina - Como é trabalhar a bordo?

Débora Zuliani - É muito bom trabalhar a bordo. É uma profissão maravilhosa. Linda. Ainda mais pra quem ama aviões e conhecer pessoas novas todos os dias.

Luana Ensina - Quais conselhos você dá a quem quer trabalhar nessa área?

Débora Zuliani - Estude línguas que este será o seu diferencial. Acostume-se que a sua vida será diferente da vida dos outros mortais e divirta-se! É muito bom voar! Foi um sonho realizado.



Débora Zuliani e seu esposo. Paixão no ar e na terra. Por amor ela resolveu ser comissária e realizou                                                                           um sonho.



 Na Disney de Hong-Kong - o casal aterriza num mundo encantado.


Como imperadores chineses. O amor à aviação proporciona uma vida sem rotinas e visitas a lugares inusitados.

quinta-feira, 19 de março de 2015

ESPECIAL GREVE: Você sabia?


Produzido por professores de Piracicaba-SP.


O diferencial da greve de 2015 é que ela tem tido grande adesão dos professores do interior de São Paulo. Muitos deles estão sendo imensamente afetados, pois, para constituir jornada, tem que lecionar em cidades diferentes e distantes umas das outras. Esse vídeo que explica a situação que levou a categoria a paralisar, foi elaborado de maneira didática e bem fácil de entender, foi produzido por professores piracicabanos que além do engajamento politico demonstram um grande potencial e competência na elaboração de material audiovisual. 

ESPECIAL GREVE: Professor de SP em greve por tempo indeterminado!


Vídeo elaborado pelo professor Lucas Marfim.


Desde o último dia 13, os professores do Estado de São Paulo estão de greve. A Assembléia Estadual dos Professores ocorrida no vão livre do MASP,  na Avenida Paulista (centro financeiro da capital paulista) optou por suspender as atividades docentes no estado. A greve é consequência dos inúmeros ataques sofridos pelos professores paulistas ao longo dos últimos anos. Entre eles,  pode-se destacar a precarização do trabalho docente, subdividido em categorias, que possuem direitos diferenciados apesar de exercer o mesmo trabalho; a falta de estrutura para lecionar em escolas que não possuem estrutura física adequada e segurança, entre outras coisas. Além disso, o governo não cumpre a lei do piso nacional,  que dá mais tempo para o professor preparar aulas, e não dá aumento real de salário há muito tempo. O professor é o único profissional de nível superior que não recebe como tal,  mesmo quando avança nos estudos,  não é remunerado a altura. Não há sequer um plano de carreira que incentive ou valorize os professores estaduais.
Como se não bastasse essas questões,  o governo conseguiu precarizar ainda mais a situação, ao diminuir as aulas destinadas aos professores de Educação Física,  que nos últimos anos são obrigados a se filiar ao CREF,  tendo que pagar do próprio bolso R$400,00 anuais e podem ser punidos a qualquer momento. No estado inteiro, cerca de 1000 salas de aula foram fechadas,  o que deixou milhares de professores desempregados. Mesmo os efetivos e concursados tiveram que acomodar suas aulas em situação precária, tendo que pegar aulas em substituição de seus próprios colegas. Muitos estão alocados em 3 ou 4 escolas para constituir jornadas de 20, 24 aulas.
Se a situação está difícil para os efetivos, para estáveis e contratados está muito pior. Muitos professores que estão próximos de se aposentar, ficaram sem aulas. Outros estão impedidos de lecionar por 200 dias (duzentena). Esses professores estão desempregados para que o governo não possua vinculo empregatício e assim não pague os direitos trabalhistas. Cerca de 20 mil professores estão impedidos de dar aulas nesse primeiro semestre letivo. Sem contar que nas escolas, além da falta de professores e da superlotação das salas de aula, há um corte de verbas que diminuiu ainda mais as condições de manutenção básica,  como a própria compra de materiais de higiene e limpeza. 
O governo diminuiu a quantidade de professores coordenadores pedagógicos - que auxiliam no andamento dos projetos pedagógicos - mostrando que não está de fato preocupado com o aprendizado dos alunos que pertencem à rede estadual, ou seja,  seus 5 milhões de alunos. Por outro lado,  o governador anunciou que cortaria despesas com a Educação,  não daria aumento aos professores em 2015,  mas aumentou em mais de 4 mil reais o seu salário e o de seus secretários de governo, incluindo-se aí o próprio secretário de Educação. Foi anunciado também um aumento de salário aos diretores de escola,  como maneira de incentivá-los a cumprir as determinações da Secretaria Estadual de S. Paulo.
Diante de tantos ataques, os professores decretaram a greve num momento de crise educacional. Em fevereiro passado,  os professores do Estado do Paraná (estado vizinho) passaram um mês de greve,  num movimento que se iniciou com o não pagamento aos professores de seus salários e férias de janeiro. 
Como se vê,  não resta outra alternativa aos professores. Lutar é preciso para manter seus direitos e parar com tantas opressões.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Torres de marfim



* Profº Dr. Rodrigo Medina Zagni


Em seu “exame de consciência” escrito em 1933, Lucien Febvre - professor da Universidade de Estrasburgo –, na dura crítica que dirigiu aos “sorbonistas”, asseverou que “a ciência não se faz numa torre de marfim. Faz-se a par e passo com a vida, e através de seres vivos que mergulham no século.”
É certo que as universidades brasileiras, desde a sua criação, padecem do mal identificado por Febvre, ou seja, já nasceram apartadas da sociedade onde se encontram encravadas como torres onde, do alto e bem distantes daqueles que estão em seu entorno, seus senhores olham o mundo ao redor como domínio de suas ciências. Cumprindo o objetivo de abrigar os filhos das aristocracias brancas do séc. XIX, sua função originária segue sendo reafirmada por seus setores mais conservadores, senão no plano político-institucional, nas mentalidades que, vez por outra, transbordam consciências e manifestam-se na condução que determinados senhores dão aos destinos daquilo que, apesar de coisa pública, tratam como domínios seus.
Recentíssimas em relação aos seus antepassados, são herdeiras de permanências que remontam do séc. XI ao XIII, quando as universidades eram ainda novidades no ambiente europeu. Dentre essas permanências, nas universidades brasileiras claramente se percebe a vigência de laços de suserania e vassalagem num universo de trocas comuns entre benefícios e fidelidades que as dotam de caracteres anacronicamente estamentais. 
Mas as universidades brasileiras são herdeiras também de outras tradições, tendo nascido fortemente marcadas pelo espírito revolucionário europeu de 1848, a “primavera dos povos” dotou-lhes de aspirações notadamente republicanas, vinculando-se ao moderno ideal de democracia e abrigando entre alunos e professores os propositores mais conscientes das “jovens-nações”. Ambientes de gestação do espírito nacional, logo as universidades se converteriam num dos mais importantes alicerces do Estado-Nação e do ideal democrático de soberania popular.
Ou seja, a universidade, no Brasil, é filha de tradições antagônicas e nasce dividida entre aspirações conflitantes: corte ou república? A díade nos obriga a outros questionamentos: nela, as decisões são colegiadas e democráticas; ou sua condução é senhorial e monocrática? Ou a quem serve a universidade pública no Brasil, às oligarquias ou àqueles que, na luta por soberania popular, têm direito à universidade, mas não têm acesso a ela?
Questionamentos de importância vital, dados os lamentáveis acontecimentos havidos nos últimos dias no Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo. 
Entre os dias 24 e 28 de novembro, o campus abrigou as atividades da “II Semana da Consciência Negra: 100 anos de Carolina Maria de Jesus”, realizada pelo “Núcleo de Estudos Reflexos de Palmares” e que contou, em suas atividades, com a participação de uma série de instituições, coletivos e movimentos de luta contra a discriminação racial.
A comunidade externa, integrada à comunidade acadêmica, participou de uma série de atividades artístico-culturais no campus como aquelas promovidas pelos grupos “Netos de Bandim”, “Filhos de Gandhi” e “Carolinas ao Vento”; e discutiu temas como “o negro e a universidade”, “o genocídio da juventude negra”, “religiões de matriz africana”, “mulheres negras e identidade” etc. 
Trata-se de temas que precisam, urgentemente, ocupar as nossas reflexões e mover nossas ações na luta por uma universidade socialmente referenciada e encarnada nos problemas daqueles que, efetivamente, subsidiam sua existência. 
Como discutir, na universidade, o racismo que acomete a juventude negra se esta, historicamente, vem sendo excluída da universidade? Dentre os alunos, quase não há negros e nos postos mais precários da universidade, sobretudo entre os funcionários terceirizados, quase não há brancos. Entre docentes o corte é ainda mais brutal: no Campus Baixada Santista, num universo de mais de 200 professores, apenas três são negros, proporção parecida com a do Campus Osasco. Uma universidade socialmente referenciada é aquela que chama a sociedade ao seu entorno para ocupar os seus espaços e discutir sobre os seus problemas. E foi para discuti-los que vários grupos, naquela semana, ocuparam o espaço que historicamente foi e vem lhes sendo negado.
E como a direção do campus os acolheu? Ao menos é possível dizer sobre aquilo que fora registrado, em vídeo, por smartphones e por meio de registro de ocorrência policial (isso mesmo!) lavrada pelo 4º Distrito Policial de Santos.
Tendo recebido notícia de que pessoas “estranhas ao campus” encontravam-se no “Laboratório de Informática” fazendo uso de equipamentos, a diretora do campus, acompanhada de dois seguranças, para lá se dirigiu. De acordo com as imagens, a diretora se referiu aos presentes dizendo “isso não é uma lan-house” e que todos aqueles que não portassem identificação de alunos deveriam sair imediatamente. Seis jovens, que faziam uso dos computadores, se levantaram constrangidos e deixaram o local, alguns teriam ido buscar seus documentos de identidade, achando que se os apresentassem poderiam fazer uso do espaço. Ato contínuo, a diretora dirigiu-se às únicas duas jovens negras que ali estavam e solicitou-lhes identificação, por sorte eram alunas e puderam permanecer, mas profundamente ofendidas pelo fato de que outros ali presentes, brancos, não tinham sido solicitados a nada, procedimento que acusaram seletivo.
Situação não apenas constrangedora; mas humilhante para os meninos que haviam sido convidados à universidade para integrarem-se a ela, bem como para as alunas que, sentindo-se discriminadas, registraram ocorrência policial a respeito.
O destrato com a juventude negra, pobre e marginalizada contrasta com o espírito humanista que deveria encarnar a universidade pública.
Que bom seria se esses meninos pudessem ser assistidos por uma universidade capaz de acolhê-los e que, inclusive, lhes fraqueasse o uso de tecnologias como aquelas do laboratório de onde foram expulsos; diga-se de passagem meios fundamentais para o exercício, hoje, de cidadania, em tempos de “cidadania digital”. Mas nunca foram, esses meninos, cidadãos! Recordando os ensinamentos do emérito professor Dalmo de Abreu Dallari, quando apenas alguns são assistidos não há direitos e sim privilégios; logo, não há cidadania. Nunca houve mesmo cidadãos no Brasil, é o que sustentava Milton Santos, intelectual negro que conheceu de perto o racismo nas universidades por onde passou; não seriam esses meninos então os primeiros e lamentavelmente não serão os últimos.
Será preciso escalar as paredes das torres, para que as universidades brasileiras deixem de ser instituições ensimesmadas, estéreis e incapazes de lidar com a diversidade, corroborando práticas históricas de exclusão e perpetuando violências de todo tipo, sobretudo as de classe, raça e gênero.
Trata-se da construção de uma outra academia para uma outra ciência; que não seja torre mas forvm, onde não haja senhores e suas vontades mas democraticamente as vontades de todos, onde não haja ordens manifestas de maneira autoritária mas argumentos dispostos ao dissenso e onde haja, sobretudo, respeito em lugar de condutas assediosas. 
Se não nos conformamos com o inaceitável, costumeiramente aceito pelos que obedecem a voz de sua própria conveniência, que sejamos desconformes então pois essa é a única forma de sermos verdadeiramente cientistas, uma vez que, nos lembrara Febvre: “... na origem de qualquer aquisição científica está o não conformismo. Os progressos da Ciência são frutos da discórdia. Como é de heresia que se alimentam, se enriquecem, as religiões.” 

Osasco, 8 de dezembro de 2014.

Subscrevem, em apoio,

Prof. Dr. Alberto Handfas
Ciências Econômicas – EPPEN-UNIFESP

Prof. Dr. Daniel Augusto Feldman
Ciências Econômicas – EPPEN-UNIFESP

Profa. Dra. Esther Solano Gallego
Relações Internacionais – EPPEN-UNIFESP

Prof. Dr. Fabio Luis Barbosa dos Santos
Relações Internacionais – EPPEN-UNIFESP

Prof. Dr. João Tristan Vargas
Eixo Comum – EPPEN-UNIFESP

Prof. Dr. Julio Cesar Zorzenon Costa 
Ciências Econômicas – EPPEN-UNIFESP

Profa. Dra. Nildes Raimunda Pitombo Leite
Administração – EPPEN-UNIFESP

Prof. Dr. Salvador Andres Schavelzon
Eixo Comum – EPPEN-UNIFESP

* Rodrigo Medina Zagni é docente do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo e repudia a hipocrisia reinante na área educacional brasileira em que impera o discurso de inclusão e universalização do ensino, ao mesmo tempo em que se precariza o sistema educacional público e se nega o ingresso nas universidades públicas aos menos abastados.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um pouquinho de Brasil por Beto Guilherme:



Na semana da Pátria, em que se comemoram 192 anos da Independência do Brasil, aproveito esse espaço para compartilhar mais uma obra do grande professor Beto Guilherme (do qual tenho a honra de ser colega de trabalho). Trata-se do vídeo Um pouquinho de Brasil, no qual o autor reflete a cerca do Hino Nacional Brasileiro, dialogando com o filme Independência ou Morte e uma brilhante explicação dada pelo professor Sérgio Nogueira, além de celebrar importantes personalidades do esporte brasileiro. O vídeo de 2009, tem feito grande sucesso na internet desde então. Perfeito para quem quer saber mais a respeito dessa importante obra da iconografia nacional. Um hino, muito mais que um cântico é o símbolo de um povo. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

MY FIRST INTERNATONAL TRIP: WASHINGTON D.C. – TRAVEL REPORT MINHA PRIMEIRA VIAGEM INTERNACIONAL: WASHINGTON D.C. – RELATO DE VIAGEM:

Por: Mateus Nunes*

Jamais imaginei que seria possível alcançar o que se fez. A vida mais uma vez me surpreendeu. E de tal forma desta vez, que me conduziu a um dos lugares mais belos do mundo: distante das minhas expectativas e ainda um garoto, repleto de sonhos e objetivos, pisei na terra do tio Sam, corroborando as certezas de metas decididas, como resultado de um esforço válido, a exemplo do que se viveu. Eu estive em Washington D.C.
Lembro-me como se fosse ontem, o dia em que recebi a notícia da seleção: não consegui acreditar na sorte do momento, de um concurso inscrito sem qualquer esperança e com tamanha espontaneidade. Não houvera reações, somente o bater na porta do inesperado para marcar completamente minha história. A partir de então, cada minuto que passava e cada processo bem sucedido, aproximava o esperado sonho, cultivado ao longo de anos.
Dia 26 de julho de 2014: talvez uma simples data por não marcar o início nem o fim de alguma guerra ou por não se comemorar um evento especial; mas foi o meu dia: dia de preparo, ansiedades e surpresas, pois além da viagem, as nove horas que esta durou apresentou-me a incrível sensação de planar uma noite inteira pelo ar, pois fora também minha primeira viagem em transporte aéreo. E desde já, o que se sucedia era inexplicável. 
Contudo, o que dizer ao pisar em solo norte-americano? O que dizer, não somente por estar no que é considerado a maior potência global da atualidade, mas por estar em sua capital, antes conhecida apenas mediante filmes, reportagens, etc., porém agora contemplada ao vivo e à cores?
À primeira vista e como aspirante à Arquitetura, Washington D.C. fora espetacular e, de fato, se mostrou como tal ao longo dos vinte e oito dias de minha estadia na cidade: desde aspectos minimalistas, como a abrangência da arquitetura neoclássica em seus prédios e monumentos que, como efeito de curiosidade, foram planejados de tal maneira objetivando a comparação norte-americana aos princípios gregos e romanos à sua organização urbanística que permite uma localização lógica por meio de letras, números e nomes de Estados como identificação de suas ruas e avenidas principais, respectivamente, contendo o Capitólio (congresso norte-americano) como centro dessa ordem, o qual eu tive a oportunidade de conhecer não somente externamente, mas internamente e apreciar o cerne da alma americana: sua grande e estonteante cúpula!



                                           Capitólio local de tomada de decisões

Para além do Capitólio, cuja altura não pode ser ultrapassada por nenhuma outra edificação da cidade (representando o poder do congresso nacional), Washington D.C. possui o maior complexo de museus do mundo, o Smithsonian Institute, com mais de 75 prédios dedicados a fatos e informações de todas as regiões do planeta, variando da história norte-americana à conquista do espaço; os tais, que eu não pude conhecer por inteiro devido ao seu grande número, têm localização dos principais em uma área conhecida como National Mall (alameda nacional) que delimita outros monumentos e prédios importantes como o Washington Monument (obelisco que pode ser observado praticamente de todas as regiões da cidade, com 169m de altura), que contém um observatório em seu interior que pude visitar e conhecer D.C. “de cima”; o Lincoln Memorial, monumento conhecido mundialmente por ter a estátua de Abraham Lincoln no seu interior, o qual visitei e me impressionei com sua magnitude; a Refleting Pool, espelho d’água localizado em frente ao Lincoln Memorial, entre muitos outros memoriais que visitei e encantei-me, a exemplo do Jefferson Memorial que, com uma paisagem deslumbrante, permite visualizar, ao longe, a famosa White House (Casa Branca), residência do presidente dos Estados Unidos, a qual eu não visitei internamente porque era preciso uma antecedência de seis meses para realizar reservas e a necessidade de cumpri todo um protocolo.


Casa Branca: sede do governo dos Estados Unidos e residência oficial do presidente da República e sua família.

Compreendendo uma gama de monumentos e edificações históricas, como a House where Lincoln died (Casa onde Lincoln morreu), Arlington Cemetery, seu zoológico no qual pude conhecer pela primeira vez ursos panda e bairros que acendem nosso imaginário infantil em virtude de suas ruas pacíficas com residências sem qualquer elemento de marcação e muita vegetação, Washington D.C. é atendida por um excelente sistema de transporte público (ônibus, trem e metro), que interliga todas as regiões da cidade, com horários definidos de chegada em seus pontos de espera (pontos de ônibus e estações).


Estação de Trem em Whashington, Estados Unidos.

No tocante aos seus aspectos sociais, D.C. tem uma qualidade de vida totalmente diversa em relação ao Brasil: notavelmente, foi possível constatar que o nível de segurança, combinado ao padrão de vida elevado das pessoas (smartphones e veículos de última geração), ora receptivas e simpáticas, ora apáticas e intensamente patriotas, expressam verdadeiramente a supremacia dos Estados Unidos que, em contrapartida, não deixa de demonstrar os efeitos do sistema capitalista, com moradores de rua habitando principalmente seus grandes centros, o que fora visto de forma mais impactante na cidade de Nova York, na qual estive apenas durante um dia e pude conhecer pontos turísticos como a Estátua da Liberdade, Ponte do Brooklin, Empire State Building, 9/11 Memorial (memorial dedicado em às vitimas do atentado ao World Trade Center), o One World Trade Center (torre única, ainda em processo de construção, em substituição às “torres gêmeas”), apreciar a beleza do Central Park, caminhar pela Broawday e corroborar o conceito de “cidade que não dorme”, ao vislumbrar as luzes dos inapagáveis painéis de Led da Times Square, principiando a madrugada – o que em D.C. é impossível, pois não possui vida noturna em virtude de seus museus e lojas encerrarem seus serviços às 17:00; a não ser por seus  shoppings (que se caracterizam por terem áreas extensas) e restaurantes de diversas culinárias, sobressaindo em muitos destes, a comida apimentada. 


Central Park em Nova York?

Foram inestimavelmente dias incríveis, de aprendizado e experiências singulares, capazes de estimular ainda mais profundamente a sombra dos meus objetivos e sonhos à suas concretizações! D.C. proporcionara-me o contato e a vivência com não somente uma, mas diversas culturas (em vista de os Estados Unidos receber indivíduos de diferenes regiões do mundo) e pessoas que jamais esquecerei, de professores, minha host mother Dian, seus cachorros e suculento jantar, meus host Brothers a todos aqueles que, como eu, foram merecedores dessa oportunidade; além de amigos e familiares que participaram direta e indiretamente desse capitulo da minha história. 
  

Memorial Lincon em Washington.

*Matheus Nunes cursou o Ensino Médio regular na E.E. Charles de Gaulle, tendo concluído sua formação básica em 2013. No mesmo ano, recebeu o grau técnico em Edificações pela ETEC-SP. Atualmente, se prepara pra FUVEST, no cursinho da POLI. Pretende cursar Arquitetura e Urbanismo na USP. Foi contemplado com o intercâmbio por ter sido o melhor aluno de sua ETEC.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Nem toda nudez será castigada - o nu, na fotografia de Andressa Borges:

Desde os tempos mais remotos o homem exerce o fascínio pela nudez humana. Despir-se é um ato de bravura pois expõe o homem em toda a sua fragilidade. Muito do que somos refere-se ao que transmitimos à sociedade através de nossas vestimentas. Elas mostram há tempos, a posição social do homem, o cargo que ele ocupa, a fé que professa e assim por diante. Para a composição desse post, convidei minha ex-aluna da E.E. Charles de Gaulle, e hoje fotógrafa, Andressa Borges. Em uma breve conversa, ela explica que sua paixão é o nu e que isso é passado nas imagens que produz, trazendo sentimentos. Andressa diz que: "muitas vezes o ensaio fala mais sobre mim que da pessoa fotografada". 
Sua inspiração se dá sobre três viés: decoratividade, movimento e expressões. Para a fotógrafa, "cada corpo tem sua linguagem, sua essência e sempre está dizendo algo, seja no movimento, na expressão, etc." A fotografia é vista como arte e muitas vezes, se une a outras formas de expressão artística ou da linguagem para expressar o que de fato Andressa sente. 
Para a postagem do Luana Ensina, Andressa Borges escolheu três fotos objetivando mostrar que "estamos sempre nos escondendo de algo, até mesmo da nudez... talvez por vergonha, medo, vulnerabilidade, até mesmo da sociedade." Neste caso, a artista tenta passar através de suas lentes, a nudez de maneira natural, porém dramática e surreal. Esta é a maneira que ela encontra "de visualizar a realidade: uma nova maneira de especulação do real, muitas vezes, de forma dramática."


 O trabalho de Andressa Borges versa sobre o nu que diz tudo por si mesmo. 


Para a fotógrafa estar despido, não necessariamente significa mostrar-se por inteiro.


A expressão casa com o corpo nu na obra da fotógrafa. Um nu pra ver, sentir e pensar.

Por fim, para encerrar, Andressa Borges nos dedica uma poesia que casa perfeitamente com sua obra:

É a nudez que o enrubesce?
Mas todavia é a nudez que o esclarece!!!

Olha-te, admira-te
Pois tu és belo
Nu em pelo
Tu és obra
Tu és arte

E arte merece
Mostras e amostras
Por isso... 
Mostra-te!"

Deh de Paula

Andressa Borges Magalhães é formada em fotografia pela UNIP. Para conhecer melhor seu trabalho, acessem: https://m.flickr.com/#/photos/oficial_emsuaformanatural/ e curtam sua página em: https://m.facebook.com/AndressaBorgesPhotos?refsrc=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAndressaBorgesPhotos&_rdr

terça-feira, 22 de julho de 2014

Meus tempos de escola - o filme:



MEUS TEMPOS DE ESCOLA - O FILME

É uma produção dos alunos, professores e comunidade de duas escolas públicas da cidade de São Paulo, ambas no bairro do Itaim Paulista (Zona Leste).

Conta a história de uma ex-aluna, que vai buscar sua filha na antiga escola onde ela jogava no time de basquete.

Ao rever as fotos nos murais relembra com saudade dos amigos, dos jogos, dos amores e do antigo prédio do colégio.
Fala de temas como o "bullying", a busca de objetivos, os sonhos, as velhas lembranças do passado. 
Um filme de Beto Guilherme que demorou 13 meses para finalização.

Desse projeto participam alunos e professores da região do Itaim Paulista que lecionam nas escolas municipais e estaduais, profissionais de grande valor e talento dentro e fora da sala de aula: Danilo Pressão, Willian Coutinho, Sueli Grobas e o queridíssimo Beto Guilherme.

Curta-metragem: O mistério da quadrilha monstro


O Mistério da Quadrilha Monstro:

Uma lenda urbana conta que existe um fantasma naquela escola.
As noites parecem eternas em sua vigília pelos corredores escuros e silenciosos.
Na festa a fantasia o fantasma resolveu aparecer.
Mas quase ninguém notou...

Realizado pelos alunos, funcionários e professores da Escola Municipal Ezequiel Ramos Júnior - Itaim Paulista - SP.

Produção e edição: Professor Beto Guilherme.
julho / agosto / setembro / 2010.

Professor Beto Guilherme é docente de Educação Física nas redes municipal e estadual de Educação de São Paulo. Um ser humano incrivelmente doce e talentoso, do qual tenho a honra de ser colega de trabalho.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O ocaso de Lobão: pseudo-intelectualidade, paranóia reacionária e mitomania no centro do Roda-Viva:

Por: Profº Dr. Rodrigo Medina Zagni

Nesta segunda-feira, 2 de dezembro de 2013, o programa Roda Viva recebeu Lobão – ex-músico, polemista profissional, militante político de direita e colunista da Veja (esta última ocupação que, por si só, explica os outros dois ofícios!). Há cerca de dez anos, noticiar algo do tipo significaria claramente a ocorrência de um acalorado debate dada a tradição histórica desse importantíssimo programa da televisão brasileira; mas isso há dez anos! As coisas mudaram, e muito! O programa que já teve a frente nomes como Heródoto Barbeiro e Paulo Markun é conduzido hoje por Augusto Nunes, também colunista da Veja, hábil em socorrer seus pares em momentos de notório constrangimento e fiel obediente ao repertório ideológico deste segmento da mídia hegemônica que demoliu a histórica tradição crítica do programa que se esfacela junto de sua nave-mãe: a TV Cultura, entregue às estratégias do mercado televisivo.

Já no início da entrevista os termos são apresentados de forma bastante direta; para o confuso, vago e obtuso entrevistado a realidade é simples e se expressa da seguinte forma: enquanto ele “fala a verdade”, todos aqueles que dele discordam são “idiotas”, de Mano Brown – do grupo “Racionais MC’s” e para quem Lobão “age como uma puta para vender livros” - a Pablo Capilé, do coletivo “Fora do Eixo”. Lugar cômodo dos egóicos que não sabem lidar com a discordância, comum às sociedades plurais onde o confronto dialético de ideias é que produz um tipo vivo de conhecimento, não os monolitos – na forma de dogmas políticos e ideológicos -, com os quais Lobão interpreta toscamente um mundo complexo. Dada incapacidade, que beira a psicopatia, é que permite a produção de fenômenos de massa como o fascismo, doutrina que tem em Lobão um terno simpatizante.
O autor do livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” (obra na qual um dos capítulos é dedicado a homenagem às posturas políticas de Nelson Rodrigues!), com ar blasée, confunde cronologias (dos momentos que antecederam o golpe de 1964) e até mesmo personagens históricos (confunde, por exemplo, Jânio com Jango!) a fim de desmoralizar governos como o de João Goulart que, no universo fantasioso que criou para si, articulava um golpe cubanizador do Estado brasileiro, “ameaça comunista” da qual teríamos sido salvos pelo que chamou de “Revolução de 1964” (designação comumente dada pelos militares para caracterizar o golpe que instaurou o regime que se estendeu de 1964 a 1985). Esclareço: o golpe civil-militar que empodeirou o mais truculento regime de exceção e que por meio da violência política (o que inclui torturas, estupros, desaparecimentos forçados e o morticínio da dissidência política) tratorou liberdades democráticas por longos e sangrentos 21 anos.
Chega a defender o golpe afirmando que, graças a ele nos safamos de “algo muito pior”, referindo-se aos regimes cubano, soviético e venezuelano, como se tivessem sido, na história, três experiências idênticas. Defensor ou crítico dessas três experiências gravissimamente distintas, qualquer indivíduo são escaparia a este entendimento grosseiro, por quantos pontos de contato pudessem ser identificados, isso porque as rasuras são imensas.
Na sua paranoia reacionária, João Goulart não foi deposto: ele fugiu! Como se o Senador Auro Soares de Moura Andrade, que presidiu a sessão de 1º de abril de 1964 declarando vaga a presidência da república com o presidente João Goulart em território nacional, não tivesse com isso dado início ao golpe na sua fase parlamentar (sim, foi assim que o golpe começou: como golpe civil!). Resistir ao golpe, ainda que apoiado por Leonel Brizola e pelas forças comandadas pelo general Ladário Telles a partir do Rio Grande do Sul, para onde se dirigiu Jango já no dia 2 de abril, significaria o inicio de uma guerra civil que não teria rápido desfecho.
“Por que ele não ficou?”, indaga Lobão como se fosse um aluno do pré-primário: o exílio no Uruguai foi o preço pago por Jango para que sua deposição não resultasse em derramamento de sangue. Enquanto na madrugada do dia 31 as tropas lideradas pelo General Olímpio Mourão Filho se deslocavam de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, a Marinha dos EUA, a frente da Operação Brother Sam, preparava-se para agir em prol dos militares em caso de guerra civil disponibilizando um porta-aviões, um encouraçado, um navio de transporte de tropas, um navio de transporte de helicópteros (com 50 unidades embarcadas), 25 aviões para transporte de armas, uma esquadrilha completa de aviação de caça e 100 toneladas de armas leves e munições. É o suficiente para dirimir-lhe a dúvida?
Constrangedor, até mesmo para os entrevistadores e para Augusto Nunes, que a todo tempo tinha que socorrê-lo a fim de evitar que as bobagens ditas fossem ainda mais exploradas pela bancada notadamente perplexa com o festival de sandices, dentre as quais sublinho a pérola de que a liberalização da maconha no Equador estaria sendo posposta para o fortalecimento das FARC’s, na Colômbia! Apesar de entender de substâncias entorpecentes, é notório o desconhecimento de Lobão acerca de uma economia política do tráfico internacional, tampouco da política interamericana e dos movimentos de luta armada que abriga.
Some-se a isso a informação de que a luta armada contra a ditadura, no Brasil, matava crianças! Imagino que aos montes! Talvez as tenham comigo, como fizeram os comunistas soviéticos!
No entanto, ele que se classifica como “ex-petista” não se diz de direita. Aliás, Lobão tem um notório problema de auto referência; alvo de baterias de latadas e garrafadas no Rock in Rio, o megalômano cantor declara-se o inventor da cena independente da música brasileira enquanto o que fez, pura e simplesmente, foi criar uma revista que trazia, como brinde, um CD! Mas Lobão não é de direita, segundo ele mesmo diz! Favorável ao golpe de 1964, para quem Marighella, Lamarca e Che foram assassinos e “sórdidos psicopatas”, contrário à política de cotas raciais, contrário ao “programa Mais Médicos”, contrário aos programas sociais focados na redução da pobreza, contrário à meia-entrada para estudantes, para quem os protestos populares acabam com seu direito de ir e vir, defensor fervoroso do capitalismo (o que inclui, suponho, suas contradições e desigualdades), contrário ao que chama de “ditadura do politicamente correto” (que impede pessoas de exercerem a liberdade de serem racistas, homofóbicas, xenofóbicas, defenderem o bullying, de serem intolerantes, por exemplo) etc. 
Notória confusão doutrinária ou incapacidade de ver a si mesmo para além da região do umbigo? 
Ah, sei... Lobão é neutro, tal qual a Veja...
A propósito, para seu mais novo colega de ofício na revista, Rodrigo Constantino, blogueiro-colunista para quem uma “... praga marxista se espalha pelo mundo”, Lobão se saiu muito bem, apesar das “... armadilhas de esquerdistas infiltrados ali para estragar uma entrevista séria” seu discurso revelara notável “independência crítica”! Entrevista séria? Esquerdistas infiltrados? Independência crítica? Não há absolutamente nenhuma independência crítica naquilo que diz, alinha-se exatamente pela unicidade do discurso adaptando-se facilmente ao seu novo ambiente de trabalho.
Mas sou obrigado, enfim, a concordar com meu xará: “o que vimos mostra bem a falência intelectual do Brasil”. 
Na verdade, pseudo-intelectual!

Rodrigo Medina Zagni é professor de História das Relações Internacionais da UNIFESP e membro do Grupo de Estudos "Conflitos armados, massacres e genocídios na era contemporânea" da USP. Tem artigos publicados em diversos livros e participa de debates e entrevistas sobre o tema. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Palavras de um professor indignado:

Ao Sr.Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin

A frase que está escrita no brasão de armas do Estado de São Paulo é a seguinte:

“PRO BRASILIA FIANT EXIMIA”, que significa: “PELO BRASIL FAÇAM-SE GRANDES COISAS”.


Quão grandes coisas o Sr. têm feito pelo nosso Estado!


Desprezo pela educação nas escolas públicas da rede de ensino do Estado de São Paulo e por outros setores como a saúde e a dignidade do cidadão. Para fazer valer o que esta escrito na máxima do brasão de armas do nosso Estado de São Paulo, seria necessário o respeito e o comprometimento com a educação como item fundamental no desenvolvimento de uma nação, pois para se fazer grandes coisas pelo Brasil é de suma importância a educação em escola para formar e capacitar pessoas que irão construir nosso país. Com uma educação decente, teríamos uma melhor evolução em todos os níveis e com certeza um país desenvolvido: com menos violência,pobreza e tantas injustiças sociais.

Creio e compartilho minha indignação com meus amigos da rede social e fica minha opnião que a frase do brasão deve mudar e o Sr. Governador perceber que o povo sofre e está insatisfeito com o Vosso governo. A minha sugestão seria continuar em latim a seguinte frase: 

“TOLERANTIAN, UNIONEM PROSPERITATEM’ - “Tolerância, União, Prosperidade”


Tolerância: O povo não iria tolerar tantas atrocidades e tantas injustiças sociais!

Quanto o Sr Governador recebe para aplicar a Vossa tirania no Estado de São Paulo?


União: O povo perceberia que possui o poder e que pessoas da Vossa estirpe seriam recebidas com nenhuma tolerância e nenhum crédito e confiança!

Prosperidade: Esta sim é a palavra que nos motiva ao crescimento, educação e desenvolvimento.

Professor indignado: Noboru Takahashi Junior.

Noboru é professor em contrato precário da rede estadual. Desenvolve um excelente trabalho de reflexão com os alunos, no projeto Café Filosófico. Morou fora do país por 17 anos e se entristece com a desvalorização do magistério em nosso estado. No Japão, onde residiu boa parte desse tempo, além de valorizado, o professor é o único profissional que não precisa reverenciar o imperador.