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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Nicolau Sevcenko - o homem além do mito:


 Triste perda para a historiografia nacional.

Infelizmente, na noite de ontem, chegou ao fim a vida de Nicolau Sevcenko, aos 61 anos. Trata-se de um dos historiadores mais importantes do nosso tempo, sobretudo, da História Cultural. Bibliografia obrigatória dos cursos de História em todo o país. Filho de família ucraniana que fugia dos bolcheviques, nasceu em solo brasileiro, na cidade de São Vicente, no litoral paulista. 
Sua carreira acadêmica, deu-se na USP, tendo inicio na década de 1970.  Seu pós-doutorado foi obtido na Universidade de Londres, em 1990. Lecionou na PUC-SP, na Unicamp e na Universidade de São Paulo até 2012. No fim da vida, lecionava na Universidade de Harvard. 
Tinha uma escrita deliciosa e uma palestra muito formal. Pessoa elegante, educada e simpaticíssima da qual a autora do blog já teve o prazer de desfrutar da doce companhia durante um curso ministrado por Sevcenko. Dentre sua vasta produção, se destacam as obras:

  • A corrida para o século XXI;
  • Orfeu extático na metrópole - São Paulo nos frementes anos 20;
  • Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República;
  • A Revolta da Vacina - mentes insanas em corpos rebeldes;
  • O Renascimento e Pindorama revisitada.


Em seus trabalhos é possível perceber o fascínio de Nicolau Sevcenko pelas principais metrópoles do país: Rio de Janeiro e São Paulo. Suas aulas de História Contemporânea, por longos anos, foram as mais concorridas da FFLCH - USP. Seus alunos buscavam o brilhantismo e a simplicidade de um grande historiador, que soube ser um grande homem, sem estrelismos.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Revolução Industrial - novos tempos:


Quando se fala em Revolução Industrial, para muitos pode dar a impressão de que antes não havia produção. Claro que se produzia, mas a partir dela, passou-se a produzir muito mais. Além disso, os lucros que antes não eram consideráveis, passaram a ser astronômicos em muitos casos. A produção passou da manufatura para a maquinofatura.
A Revolução Industrial é um acontecimento que se deu na Inglaterra do século XVIII e que impulsionou não apenas a economia, mas a politica, mudou a cultura e a sociedade.
O principal simbolo dessa mudança é a máquina a vapor, que possibilitou a dinamização da produção, bem como facilitou o transporte, que não apenas servia para produtos e sim para passageiros e com esses, ideias e conhecimentos.
Após a Revolução Industrial, houve um grande desenvolvimento e progresso. Todas as áreas da vida das pessoas foi afetada. O homem tornou-se de fato trabalhador, com todas as obrigações que isso implica.
Contudo, essas mudanças não foram de todo para a melhoria da vida do homem. Com o advento das máquinas, vieram problemas como as jornadas de trabalho extenuantes, a poluição do ar e a exploração do homem pelo homem, como nunca antes havia sido registrada na História da Humanidade.
Esse processo, teve dois momentos principais, como é possível visualizar na imagem abaixo:


terça-feira, 29 de abril de 2014

O Brasil dos tempos do ouro:

Com o declínio da cultura da cana-de-açúcar, os portugueses começaram a pensar numa alternativa que pudesse garantir riquezas à metrópole. Ao saber que os espanhóis haviam descoberto ouro e prata em suas terras americanas, teve inicio a busca por minérios. No século XVII, descobriu-se ouro em Minas Gerais (que ganhou esse nome devido as riquezas naturais de seu território). 
Além de enriquecer a metrópole, o ouro brasileiro teve muita importância não apenas para quem o extraiu. Serviu grandemente para desenvolver a sociedade brasileira da época, que viu esse reflexo nas suas cidades.
Foi nesse período que o barroco e o rococó se desenvolveram. As igrejas das cidades históricas são prova disso, já que possuem ouro na própria elaboração de sua ornamentação. Foram construídas estradas e o país passou a se interligar.


Nossos negros e sua origem:

A maior parte da população brasileira é negra. Essa informação que nos é dada pelo IBGE remonta ao século XVII, quando teve inicio um processo de escravidão, cuja finalidade era ter mão-de-obra sem grandes custeios, para desenvolver as lavouras de cana-de-açúcar e assim enriquecer grandemente a metrópole. Os negros do país são vítimas da violência de outros negros que os entregavam ao homem branco para ser escravizados.
Ao serem capturados e presos, eles eram obrigados a embarcar em navios (negreiros) e faziam a travessia do Oceano Atlântico em condições desumanas. Muitos sequer sobreviviam à viagem. Aqui chegando, eram vendidos como mercadorias. Muitas famílias eram separadas. Eram tratados como bens de família.  Muitos não os viam como gente, mas os obrigaram e se tornar cristãos.


Navio negreiro.

Os que sobreviviam, ajudaram a formar a sociedade brasileira. Por séculos, cederam seu trabalho ao país e mesmo marginalizados, estiveram e estão incorporados a sociedade brasileira. No Brasil, os negros além de escravos foram duramente castigados em sua recusa ao trabalho. Foi preciso muita luta por liberdade e igualdade de direitos.
Embora a historiografia elitista tenha tentado diminuir sua importância,  hoje ela é uma realidade que não se nega. O negro tem a cada década se destacado e se tornou protagonista da sociedade. Evidentemente, é preciso que se avance ainda mais, pois ainda há racismo e preconceito (lamentavelmente) mas não se pode mais negar sua existência.


Dos índios aos bandeirantes.

Como se sabe, o Brasil foi colonizado por Portugal a partir de 1500. De fato, seu desenvolvimento só se deu as margens do litoral por conta do Tratado de Tordesilhas e por não haver interesse de colonizar as áreas mais distantes num primeiro momento, já que o interesse principal era em extrair as riquezas naturais para assim ter lucratividade. Abaixo, o mapa do Brasil mostra como era o país no primeiro século da sua fundação:

Mapa do Brasil no século XVI

Tendo a necessidade de expandir seu território para ampliar as riquezas da metrópole, aos poucos, a Coroa portuguesa começou a elaborar um projeto para conquistar esses espaços. Era necessário para tanto, enfrentar os indígenas, verdadeiros habitantes das terras, já que as ocupavam antes mesmo da chegada européia ao continente americano. Sendo assim, a Coroa delegou a alguns homens, a missão de desbravar o interior.
Foi dessa maneira que as bandeiras foram implantadas o objetivo era conquistar o interior do Brasil, isso se deu ainda no século XVI. Esses homens, os bandeirantes, tinham a tarefa de levar as bandeiras aos lugares mais longínquos. Isso não é qualquer missão, dada as circunstancias e as dificuldades impostas pela própria natureza (ainda intocada e cheia de obstáculos).
Desse modo, a ida a essas excursões, eram imprevisíveis e cheias de surpresas, tanto para os homens brancos em seu ato de "bravura", quanto para os nativos da terra em seus atos de defesa de seu habitat. Foi assim que teve inicio uma Guerra Justa para o homem branco, que para o índio significou a morte muitas vezes.
Durante muito tempo, a figura do Bandeirante permaneceu esquecida, até que no século XIX, ela passou a ser não apenas rememorada, mas também celebrada. Por esse motivo, os bandeirantes são homenageados dando seu nome às rodovias que refazem seus caminhos no passado (Fernão Dias, Raposo Tavares, Bandeirantes, etc). A iconografia (estudo das imagens) os representa como homens elegantes e austeros, demonstrando a supremacia do homem branco português, sobre os demais habitantes do Brasil.

Diversas representações de bandeirantes.

Contudo, é mais provável que eles andassem maltrapilhos, sem toda a pompa e circunstancia com que são retratados nos livros. Isso porque grande parte das vestimentas e objetos que estão nas imagens que os descrevem, sequer existiam no século XVI.