segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ensino Médio na ETEC - saiba como funciona:


Lucas Menezes partilha com o leitor sua experiência como estudante de ETEC. Na foto, ele ainda aluno da E.E. Charles de Gaulle, se preparava para o vestibulinho em 2012.

Estudar é parte fundamental da vida de um adolescente. O Ensino Médio é uma fase importantíssima para a formação, pois é a finalização do Ensino Básico e a preparação para o Ensino Superior. Essa etapa importante do ensino pode se dar em escolas estaduais, que segundo a lei são responsáveis por sua aplicação aos jovens concluintes do Ensino Fundamental ou por Escolas Técnicas (estaduais ou federais). Para saber como é a experiência de estudar numa ETEC - Escola Técnica Estadual de São Paulo - do Centro Paula Souza, entrevistei meu ex-aluno de oitava série (atual nono ano) na E.E. Charles de Gaulle, Lucas Menezes. Ele conta para o blog Luana Ensina da decisão e dessa experiência de vida, afinal, é uma fase muito importante de sua vida que está sendo bem aproveitada.

Luana Ensina - Você cursou até a oitava série numa Escola Estadual de ensino regular. Por que você decidiu cursar o Ensino Médio numa ETEC? Explique o processo de ingresso.

Lucas Menezes - Estudar em uma Escola Estadual foi muito importante pra mim, onde pude adquirir experiências e convivi com colegas muito diferentes uns dos outros. Primeiro, é legal ressaltar que tenho muita satisfação em ter estudado e ter aprendido o que eu aprendi e tenho levado na minha vida até hoje... A decisão de me inscrever no vestibulinho da ETEC, foi quando vi que tinha capacidade de mudar de escola, me capacitar em algo melhor e assim crescer no meio estudantil. Através de avisos distribuídos na escola em que eu estudava (Charles) e depois de conversar com amigos próximos, me inscrevi para o Processo Seletivo da ETEC Zona Leste no final de 2012 para fazer o Ensino Médio regular do ano de 2013.

Luana Ensina - E o vestibulinho? Como é a prova e o que é preciso estudar?

Lucas Menezes - O vestibulinho foi uma hora cheia de ansiedade. Normalmente, quem entrou na ETEC fez seu primeiro processo seletivo por lá. Então, é bem tenso e cheio de dúvidas. Ocorreu tudo bem, foi tudo muito organizado. Fiz a prova numa escola próxima à ETEC em que eu queria estudar. A prova tinha 50 perguntas, e, sendo bem sincero, não estudei muito pra prova não. Olhei a prova do ano anterior, que fica disponível no site e a utilizei como base. As próximas etapas eram de verificar a classificação, os procedimentos da matrícula, mas sempre tudo muito bem organizado. É preciso ressaltar que quem se dedicou bem nos anos anteriores se deu bem na prova e foi sossegado.

Luana Ensina - E a experiência mesmo no Ensino Médio da ETEC? As aulas são diferentes daquelas dadas numa escola estadual convencional? Como é o cotidiano numa ETEC?


Lucas Menezes - Meu Ensino Médio foi o melhor. A ETEC nos proporciona amigos que ficam pra vida toda. São pessoas com as quais a gente se entende ao conversar, e que, principalmente, gostam de estudar e fazer as coisas certas.Existe sim, muitas diferenças mas sim entre os alunos frequentes, que vão a escola e são selecionados para receber sua formação numa escola diferenciada. Com alunos selecionados para um ensino melhor e que querem realmente um bom futuro, fica mais fácil pra escola ser organizada e manter normas, que são facilmente seguidas. Com bons alunos disciplinados, a escola dá mais liberdade pra eles, há uma troca recíproca de coisas boas no dia a dia. Os professores são mais valorizados pelos alunos e assim conseguem dar uma aula melhor. Logo, os alunos aprendem mais e conseguem se preparar para um futuro vestibular.

Luana Ensina - Para quem faz Ensino Médio numa ETEC o acesso é facilitado para o ingresso num curso técnico?

Lucas Menezes - Quando se está dentro da ETEC e você entende como funciona tudo lá dentro, você quer usufruir ao máximo daquela estrutura. Por estudar lá dentro, você tem a exata noção do que é o ensino técnico e tem contato direto com professores e alunos de diferentes cursos, módulos, etc. Tendo a experiência de uma prova na ETEC, fazer outra se torna mais fácil. Esse foi o meu caso. No final do meu primeiro ano de Ensino Médio, em 2013, prestei vestibulinho para o curso de Administração na mesma ETEC e passei numa posição muito melhor do que a de 2012.


Com os amigos da ETEC, Lucas Menezes aproveitou a infra-estrutura do colégio para aprender e para cultivar novos amigos.

Para saber mais:
  • Ao contrário das escolas estaduais comuns, as ETECs não pertencem à Secretaria Estadual de Educação. São ligadas à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. 
  • São de responsabilidade do Centro Paula Souza que é uma autarquia. Autarquia é uma empresa estatal cujo conceito é a auto-suficiência ou autonomia de gestão.
  • Para ingressar no Ensino Médio ou Ensino Técnico das ETECs é necessário pagar uma taxa e prestar vestibulinho, ou seja, fazer uma prova que mede o conhecimento do candidato para garantir a vaga aos melhores classificados.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Hieróglifos - a escrita do Egito Antigo:


1. A escrita hieróglifa: uma das mais antigas do mundo.

No Antigo Egito, desenvolveu-se uma escrita muito particular, baseada em desenhos, tinha a função de registrar as riquezas dessa civilização ou o próprio cotidiano dessa sociedade tão importante da Antiguidade. A palavra hieróglifo vem do grego e significa "escrita sagrada" porque esse conhecimento só pertencia a alguns poucos privilegiados que quase sempre eram ligados à religião, como os sacerdotes, por exemplo.
Sua composição era repleta de símbolos desenhados com bastante cuidado,  embora entendidas por uma pequena parcela de privilegiados que compunha a sociedade egípcia. Para garantir o entendimento de quem a desvendasse, era necessário que os símbolos fosse desenhados de maneira muito meticulosa, evitando-se assim que a escrita não pudesse ser entendida pelo seu respectivo leitor.
O uso do hieróglifo era comum nos templos e túmulos e possuíam uma leitura e escrita muito diferente da nossa, não apenas por seus símbolos diferenciados, mas até mesmo na disposição dos mesmos e no seu entendimento. Muito distante do nosso padrão de escrita linear e entendido da esquerda para a direita, por exemplo.
Os hieróglifos são o simbolo da cultura egípcia mais presente na nossa memória coletiva, ficando atrás apenas dos papiros e das pirâmides. Era com essa escrita que os escribas registravam as informações mais importantes daquela sociedade. Graças ao trabalho árduo de diversos profissionais como arqueólogos, paleontólogos, historiadores, entre outros, podemos ter acesso a esse conhecimento nos dias atuais.


2. Comparada a nossa escrita atual, os hieróglifos são bastante diferentes e sua simbologia chega até mesmo a ser bastante curiosa.


Alunos do terceiro ano do Ensino Médio foram convidados a exercitar essa escrita, embasados evidentemente na nossa escrita atual. Se pudéssemos escrever através desse sistema, como seria? Alguns nomes desses mesmos alunos foram traduzidos para essa escrita. Vejamos a escrita hieróglifa, de um modo que nos é compreensível:



Beatriz


Gabriel


Hellen


Larissa


Letícia


Luanda


Marcela


Marina


Matheus




Sabrina Romano


Stephanie


Tamires


Victor

Créditos:

1. João Paulo dos Santos Brito - 3ºA
2. Jennifer Alves - 3ºA
Beatriz Jacobsen - 3ºA
Gabriel Nascimento - 3ºC
Hellen Cristina - 3ºA
Larissa Pereira Melo - 3ºA
Letícia Mendes Góis- 3ºC
Luanda C. Araújo Nascimento - 3ºA
Marcela Fernandes - 3ºA
Marina Laurindo Dias- 3ºC
Matheus da Silva - 3ºA
Sabrina Romano- 3ºC
Thamires Santos Pereira - 3ºA
Victor Vagner - 3ºA

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A música Nassíria e Najaf e a Guerra do Iraque:


Nassíria - bairro de Bagdá em pleno conflito da Guerra do Iraque (2003-2011)


Najaf - uma ruína que mostra o que restou depois do bombardeio. 

Um dos conflitos mais recentes da História é a Guerra do Iraque que teve início em 20 de março de 2003 e que chegou ao fim em 15 de dezembro de 2011. Para alguns historiadores, ela é apontada como a segunda Gerra do Golfo, para outros, a terceira Guerra do Golfo - em referência à região do Golfo Pérsico. O conflito naquela região, não é propriamente uma novidade. Entre os anos 80 e 90 do século XX, já havia tido um grande conflito nessa mesma região. O país que hoje ocupa grande parte do território que na Antiguidade era conhecido como Mesopotâmia, sempre foi uma região conflituosa por motivos diversos: políticos, étnicos, religiosos ou econômicos.
Nesse evento mais recente, o conflito se iniciou sob a justificativa de que Saddam Hussein - então ditador do Iraque - dava guarita a membros da Al Qaeda, de Osama Bin Ladem - o que jamais se provou . Mesmo sem as suspeitas terem sido confirmadas, a guerra ocorreu e teve como consequência a condenação de Saddam Hussein a pena capital e o inicio de um projeto que visa inserir a democracia no país, que agora tenta se reconstruir.
Curiosamente, o cenário dos conflitos mais intensos foi Bagdá, capital da província de mesmo nome. Fundada em 762 d.C., a cidade que fica às margens do Rio Tigres, tem como significado de seu nome "Presente de Deus" e já foi chamada de "Cidade da Paz". Contudo, enfrenta ao longo de sua história grandes dificuldades para manter-se em paz e estabilidade.
A artista pernambucana Karina Buhr, fez uma música que reflete a morte de civis durante os bombardeios na madrugada de Bagdá, dentre eles, muitas crianças que as mãezinhas colocaram para dormir o sono da morte diante da guerra. Nassíria e Najaf fala de dois bairros de Bagdá que enfrentaram o drama de ser destruídos por ocasião dos combates.

Nassíria e Najaf
(Karina Buhr)

Dorme antes do míssil passar
Daqui a um segundo
eu posso não ter mais você
Você não mais que isso
Nossa casa explodir
Uma arma cravar meu corpo
Um corpo furar sua carne

Mesmo o que a gente não tem mais
pode morrer aqui
Não importam seus amigos anjos,
nem sua vontade de comer um bolo,
nem meu vestido novo,
nem meu vestido velho

Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!

Dorme antes do míssil passar
Daqui a um segundo
eu posso não ter mais você
Você não mais que isso
Nossa casa explodir
Uma arma cravar meu corpo
Um corpo furar sua carne

Mesmo o que a gente não tem mais
pode morrer aqui
Não importam seus amigos anjos,
nem sua vontade de comer um bolo,
nem meu vestido novo,
nem meu vestido velho

Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!

Está chovendo fogo
e as ruas estão queimando
Todo mundo assistindo
à gente desmilinguindo
Nosso sangue derretendo
junto com o mundo,
que vai se acabando?
Não deu certo!
Tanto trabalho, tanto tempo,
planeta ser feito, gente ser feita,
não deu certo!

Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!

Essa é pras criancinhas de Nassiria, Najaf, em Bagdá,
uma canção de ninar
Essa é pras criancinhas de Nassiria, Najaf, em Bagdá,
uma canção de ninar

Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!
Dorme logo antes que você morra!

As pirâmides do Egito - patrimônio cultural da humanidade:


 Destaque para o clima desértico e as pirâmides do Egito.


O Egito é um país dos mais antigos e peculiares da História. Citado na bíblia, o país foi cenário de alguns eventos importantes citados no livro sagrado. Foi lá que Moisés nasceu e de lá fugiu com o povo hebreu da escravidão, rumo a terra prometida. Sua localização ia além da atual, compreendendo diversos países que permanecem nas margens do Rio Nilo.
Seu clima desértico tornava o clima um tanto quanto desagradável, com altas temperaturas durante o dia e temperaturas baixíssimas durante a madrugada. Por conta do deserto, um dos animais mais utilizados na região para transportar cargas e pessoas é o camelo. 
A unificação entre as duas regiões, conhecidas como Alto e Baixo Egito se deu no governo de Narmer - o primeiro faraó do Egito. Os faraós,  detinham o poder político, espiritual e militar. Séculos antes do nascimento de Cristo, o país já contava com uma estrutura complexa de poder e sociedade, tendo inclusive um funcionalismo público para colaborar com os serviços prestados ao público.
Quem fazia os registros eram os escribas, responsáveis pelos cálculos e demais registros das riquezas dos faraós. A escrita do Egito era hieróglifa - repleta de símbolos. De tão próspero, houve presença egípcia até mesmo próxima ao Rio Eufrates (da Mesopotâmia).
Um dos símbolos mais conhecidos do Egito Antigo são as pirâmides, consideradas um patrimônio cultural da humanidade, tendo sua importância artística e cultural reconhecida até os dias de hoje. Construídas para serem o túmulo dos faraós Queóps, Quefren e Miquerinos, foram um dos primeiros grandes desafios arquitetônicos criados pelo homem. Nelas, os faraós ficavam mumificados, tendo seu corpo preservado após a morte.
Por volta de 31 a.C., a civilização egípcia que já se encontrava em declínio, foi conquistada pelo Império Romano e se tornou uma província, perdendo seu governo próprio.

Crédito:
Karen, Luciana e Marcos - 7º ano D

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A revolta da chibata em samba:

A Baía da Guanabara localiza-se na cidade do Rio de Janeiro, nessa imagem ela é mostrada em inicio do século XX.

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a História não esqueceu
Conhecido como navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então

Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias

Glória à farofa
à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais

Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo

Essa música, foi composta por João Bosco e Aldir Blanc nos anos 70 do século XX e tendo sido gravada por Elis Regina, a maior interprete da MPB na época. Intitulada O Mestre-Sala dos Mares, constitui um clássico da nossa música popular e é um samba muito agradável. Em plena ditadura militar, os compositores que viviam tempos difíceis, posto que as músicas passavam por censura prévia, resgataram na História do Brasil de incio daquele século, um episódio bastante marcante: a Revolta da Chibata. Porém, a música foi modificada em diversos trechos.


Essa imagem é atribuída aos marinheiros que participaram da Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro em 1910.

O conflito foi marcado pela revolta dos marinheiros que liderados por João Cândido (o Almirante Negro) se rebelaram contra os castigos físicos que sofriam: chibatadas.Os marinheiros eram muitas vezes recrutados para servir a Marinha do Brasil de maneira compulsória entre o final do século XIX e início do século XX. Desde a Proclamação da República, os castigos físicos haviam sido banidos das instituições federais, mas curiosamente permaneceram na Marinha. Muitos marinheiros eram filhos de ex-escravos e eram humilhados ou castigados fisicamente, como ocorria nos tempos de escravidão. 
Não concordando com essa situação e após presenciar uma agressão bastante grave a um companheiro, Marcelino Rodrigues Menezes, condenado ao castigo de 250 chibatadas, que foram aplicadas na frente da tropa. Quando os marinheiros se rebelaram, ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro - a então capital federal - historiadores apontam, que foram dois anos de planejamento até a eclosão do movimento em novembro de 1910.


João Candido - o Almirante Negro - líder da Revolta da Chibata.

O líder do movimento era um gaúcho, filho de ex-escravos que ingressou aos 13 anos na Marinha em Porto Alegre, por indicação. Em 15 anos de carreira até o episódio, teve no currículo inúmeras viagens. De instruído a instrutor, passou pela Grã-Bretanha e teve contato com marinheiros russos em momentos que viriam a anteceder a própria Revolução Russa. Era muito competente em suas funções e conseguia dialogar com oficiais. Por isso foi indicado pelos pares a liderar o movimento.

A Revolta foi sufocada pelo governo, com uma manobra estratégica, ainda no final de novembro de 1910. O governo disse que concederia anistia aos envolvidos no movimento, mas prendeu-os e os enviou a uma prisão subterrânea na Ilha das Cobras, onde poucos sobreviveram. O episódio é bastante discutido até os dias atuais, seja pela resistência ou pela própria desobediência a uma força militar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Bonequinho Histórico: D. Pedro I


D. Pedro I - o patrono da Independência.

D. Pedro I, foi o Primeiro Imperador da Monarquia Brasileira. Filho de D. João VI e D. Carlota Joaquina, foi o mais brasileiro dos portugueses. Nascido em Queluz - Portugal em 1798, veio para o Brasil em 1808, na fuga da Família Real para o Brasil. Seu nome de batismo é até hoje um dos maiores de que se tem notícia. Chamava-se Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Apaixonado por música, sempre estudou e compôs, sendo autor inclusive o Hino da Independência que durante muito tempo foi o Hino Nacional do Brasil. 
No Brasil, residiu na Quinta da Boa Vista, que está localizada na cidade do Rio de Janeiro. Mas há registro de sua presença por toda a região sudeste do país. Fez carreira militar desde cedo, sendo um exímio lutador com a espada. Uma de suas maiores paixões era o trato de cavalos e a marcenaria.
Boêmio, era assíduo frequentador das tavernas cariocas (onde ocorriam as baladas da época). Tinha uma queda por mulheres e teve uma vida sentimental bastante movimentada. Casou-se duas vezes: com D. Leopoldina e depois de viúvo, com D. Maria Amélia. Mas seu caso de amor mais famoso foi com D. Domitila de Castro, a quem concedeu o título de Marquesa de Santos.
Na política, teve ações muito importantes: o Dia do Fico - em que declarou: "Se é para o bem do povo e felicidade geral da nação: diga ao povo que fico". Quando D. João VI resolveu repatriá-lo e atendendo a um abaixo-assinado, recusou-se a volta a Portugal em 09 de janeiro de 1922. No entanto, seu ato mais importante foi a Proclamação da Independência, ocorrida em São Paulo às margens do Riacho do Ipiranga, em 07 de setembro do mesmo ano. 
Primeiro governante do Brasil independente de Portugal, governou o país nos primeiros anos e fez a primeira constituição do país em 1824. De princípios liberais, a Carta Magna continha a separação dos poderes em legislativo, executivo e judiciário, mas possuía um algo a mais: o poder moderador. O imperador poderia interferir nas decisões dos poderes se visse necessidade de fazê-lo. 
Contudo, a lua-de-mel entre o Imperador e o povo brasileiro não durou muito. Após crises políticas, econômicas e sociais, o povo começou a reclamar do governo nos jornais da época. Algumas capitais foram palco de muita confusão entre o povo descontente e as forças do Estado. 
Em 1831, diante de uma crise no trono português, sem ter condições de conduzir politicamente os dois países, D. Pedro I abdicou, deixando o poder para seu filho D. Pedro II que na época tinha 05 anos de idade. Em Portugal, tornou-se D. Pedro IV e reinou por 3 anos até morrer de tuberculose em 1834.

Crédito:
Pedro Victor - 7ºD

domingo, 2 de agosto de 2015

Içami Tiba - educador de educadores:


Um dos grandes educadores do Brasil na transição entre os séculos XX e XXI.

A vida e a obra de Içami Tiba deixarão na memória um incansável educador que dedicou-se a ensinar milhares de pessoas na maior e mais importante missão que existe no mundo: educar. Como educador brilhante, Içami Tiba usou todo o seu conhecimento e sabedoria para refletir com pais e professores sobre a importância de educar as crianças, ao invés de simplesmente criá-las. 
Sua formação se deu inicialmente na área da saúde, médico psiquiatra, especializou-se em Psicoterapia de Adolescentes, tendo criado um método próprio para tratá-los, a Terapia da Integração Relacional. Autor de renome, foi um dos escritores mais bem-sucedidos no Brasil. 
Sua temática levou pais, mães, professores e a sociedade em geral a refletir sobre a ação educadora capaz de formar seres humanos capazes de transformar o mundo. Para tanto, a fórmula sugerida foi bem simples: afeto, firmeza e perseverança. 
Içami Tiba ensinou multidões o valor do não, dos limites e das responsabilidades. Quem ama educa, rendeu prêmios, inúmeros convites pra palestras e um programa de televisão, mas acima de tudo, mostrou ao Brasil um de seus mais brilhantes pensadores. Foi e é um livro para todos terem na cabeceira.
Além dessa obra, muitas outras foram publicadas com o intuito de formar, gerar reflexão e auxiliar todos aqueles que possuem interesse em educar aqueles que farão a diferença no mundo: os nossos herdeiros. Içami ensinou que o maior legado que se pode deixar para a posteridade são pessoas de valores, pois munidas deles, farão o que for possível por uma vida melhor em todos os sentidos.
O educador de educadores grafou para a posteridade a maior das mensagens: quem ama (não cria), quem ama educa (dá limites e por isso ensina a ser gente). Que sua missão não se encerre com sua morte, mas que a chama deixada por ele possa ser continuamente alimentada por nós educadores (pais ou não).

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Jana no Hibi - artista visual que encanta o coração:


Jana no Hibi: sua vida e sua obra que encantam pela força e determinação.

Essa é uma das entrevistas mais bonitas publicadas aqui no Blog Luana Ensina. Trata-se da linda história de vida, de Jana no Hibi, minha ex-aluna Janaína de 2006, na E.E. Profº Pedro Brasil Bandecchi, colega de turma de Fernando Rocha. Jana no Hibi é seu nome artístico e significa "dias de Jana", inspirado num anime. A jovem artista de 25 anos se define uma artista em construção. É uma vencedora. Criada no Jardim Nélia - extremo leste da capital paulista - enfrentou as dificuldades de viver na periferia da maior cidade do Brasil, numa família chefiada por uma mulher (sua mãe, de quem herdou a bravura e as forças pra lutar) Jana enfrentou dificuldades e abusos numa infância sem muitos recursos e poucas possibilidades. Muito estudiosa, tinha planos de reverter tudo isso ao terminar o Ensino Médio, quando entraria na Universidade para ingressar nos estudos superiores e no mundo. Porém, o destino lhe reservou uma surpresa na ocasião. Na verdade, duas. Mãe aos 18 anos, Jana não desistiu dos planos e seguiu firme em seu propósito de estudar para ter uma vida digna. Da Psicologia às Artes Visuais, tem encontrado seu caminho ao levar cultura a menores em situação de rua. Sua vida e seu caminho profissional demonstram que determinação e perseverança levam o ser humano a atingir seus objetivos.

Luana Ensina - Qual a sua formação acadêmica e artística?

Jana No Hibi - Me formei em Artes Visuais, pela Universidade Cruzeiro do Sul. Entrei na faculdade pra estudar Psicologia, gostava muito de ler e tinha bastante contato com as artes, porém eu não sabia - a gente não sabe do que gosta especificamente - quando mora na periferia. Não temos muita orientação. Quando recebi uma proposta de bolsa de estudos e pude escolher, pulei a Psicologia e me matriculei em Artes Visuais. Foi a melhor escolha da minha vida, apesar de até hoje não ter o retorno, pois eu não segui a licenciatura, que é minha formação. Resolvi me arriscar. Após algumas tentativas de dar aulas, na mesma escola que eu estudei a minha vida toda, desde a primeira série do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio: a E.E. Profº Pedro Brasil Bandecchi no extremo da Zona Leste de São Paulo. Eu não sei o que deu na minha cabeça, mas eu voltei lá e não gostei da experiência, mas ainda não desisti da licenciatura.


Luana Ensina - Não foi fácil chegar até aquinão é mesmo? Fale da sua origem e da sua gravidez precoce. Que sabor teve a conclusão da sua faculdade diante disso tudo?

Jana No Hibi - Como tudo na minha vida parece uma história fantástica e meio dramática: eu engravidei do meu namorado. Na época eu era bem jovem e tinha acabado de terminar o Ensino Médio e tudo que queria era ir pra faculdade. Quando recebi a notícia foi bem difícil,  mas nunca me faltou apoio, mas não era só uma gravidez, a coisa era mais especial, aos quatro meses eu descobri que eram gêmeas! Nossa, mudou tudo! Inclusive minha situação por dentro, eu me senti muito especial. Sempre fui muito sozinha, tenho um irmão cinco anos mais velho, que passava o dia na rua, e minha mãe trabalhava muito e sozinha pra manter a casa, éramos nós três, então nunca tive muita orientação e minha mãe fazia o que podia. Sou muito grata a ela e assim como ela eu aprendi que a vida não seria fácil, e se eu quisesse conquistar alguma coisa na vida, teria que ralar muito, bem ai já me confortei: minhas filhas não se sentiriam tão sozinhas como eu quando era pequena, onde cheguei até a sofrer abuso e só vim recordar realmente bem mais tarde. Isso influenciou bastante minha militância em prol da criança e do adolescente em vulnerabilidade social, eu cresci nessa vulnerabilidade, e penso e me pergunto como apesar de tudo isso pude ter algumas conquistas. Tive uma amiga da escola chamada Mônica que foi essencial, até hoje temos projetos juntas como o Em Construção que pretende exatamente isso contar às histórias das mulheres que crescem e sobrevivem na periferia e ainda conseguem projetar mudanças. Na adolescência éramos muito unidas e vivíamos inventando coisas pra fazer, como ir na biblioteca do CEU Parque Veredas (no Itaim Paulista). Líamos muito e todo curso de música, fotografia queríamos fazer e conversávamos bastante com professores e educadores que nos influenciavam.

Luana Ensina - Fale mais a respeito do Projeto Em Construção. O que ele objetiva?

Jana No Hibi - O Em Construção surgiu porque nós queremos não só contar nossas histórias de luta de quem vive na periferia e é mulher, sai pra estudar longe, muitas vezes, tem filhos e ainda assim produz algo pra fazer a diferença. Temos bastante amigas assim e queremos mostrar que elas existem e que resistem.

Luana Ensina - Como é o seu cotidiano de trabalho? Você participa ativamente da promoção de eventos que levam cultura aos menos favorecidos. Relate essa experiência.

Jana No Hibi - Hoje eu trabalho na área social, o que me acrescenta bastante não apenas como profissional, mas também como pessoa, apesar de não ser minha área específica. Trabalho com abordagem de crianças e adolescentes em situação de rua. Criamos propostas de oficinas e interações para nos aproximar e tentar mudar a vida dos meninos(as) que vivem em situação de rua. Tenho bastante liberdade de criar e propor ações, pensar e desenvolver ideias práticas e atividades. Meus projetos são meio que lazer, até, porque na maioria das vezes, é o meio em que eu convivo, e assim como no projeto Crie i Ative ou no Em Construção ou num desenho que forem fazer e me chamar para ver, é tudo diversão. O Em Construção tem um caráter mais documental e mostra a vida da mulher que participa e faz coisas na periferia.  Já o Crie i Ative é mais uma ação de interação e lazer, ele propõe uma atividade que envolva desde a criança até o adulto, na construção de algo como um instrumento musical ou um utilitário, a partir de coisas que às pessoas jogam no lixo. E se me chamarem pra pintar, desenhar, fotografar ou dar uma oficina sobre essas coisas, eu tô dentro é assim: uma soma.

Luana Ensina - Porque se apaixonou pela Arte? O que ela representa pra você ou pra sua vida?

Jana No Hibi - Eu me apaixonei por arte e eu nem sabia. Eu sempre quis fazer coisas diversas nada específico,  eu sempre gostei de experimentar tudo. A arte me deu essa possibilidade e ela nunca disse que eu não podia. Eu trabalhei em algumas exposições durante a faculdade e conheci muitos artistas. Muitos nem eram formados em artes,  eram matemáticos ou formados em direito ou arquitetura ou qualquer coisa, o mais incrível é que todos tinham a compulsão de criar e fazer algo.

Minhas frases favoritas nas artes são "arte não serve pra nada" você não vai comer, nem vesti-la,  Nem morar nela... a arte serve pra ativar o pensamento! Depois que a mente cresce ela jamais retornará ao estado anterior."
A outra é que "a arte não precisa ser bonita pra ser arte", e é isso ai, eu particularmente gosto muito da arte esteticamente feia, gosto da bonita também, todo aquele barroco, e arte sacra ou pop mas a arte que me toca mesmo são aquelas bem pesadas, tipo Caravagio até às influências de hoje como umas performances malucas.


Luana Ensina - Quais os trabalhos que você realizou que possuem maior significado na sua obra?

Jana No Hibi - Nas artes eu estou sempre inventando algo, ela me dá essa liberdade de não me especificar e nem me limitar, gosto de explorar tudo quanto for possível, tenho vontade de fazer ou uma ideia vou lá e faço, acho que isso deve ser arte kkkk... Tenho o projeto "Crie i ative" que está começando, e visa trabalhar a criação através da arte e sustentabilidade para todas às idades. Acho que não tenho nenhum trabalho específico, acho que estou em construção, mas tenho muitas coisas desenhadas, fotografias, esculturas, pinturas, textos, essas coisas. A primeira coisa pela qual eu tive compulsão e que me alivia, tira o peso da vida foi escrever. Isso me ajuda até hoje.

Luana Ensina - Que dicas você poderia dar para quem quer seguir carreira artística? E pra quem vê a maternidade chegar tão cedo?


Jana No Hibi - Pra quem está, gosta ou pensa em viver o mundo das artes, eu digo pra seguir o coração, porque arte é isso: é fazer o que dá vontade. É ter liberdade. É pensar bastante em si e ao seu redor, pois não somos seres isolados. Esse pensamento menos egoísta ajuda a manter um pouco os pés no chão e isso é muito importante,  mesmo que ninguém entenda ou apoie o que você faz. Às vezes, a gente é chamado de louco(a) mesmo, mas não desista e não se sinta sozinho. Sozinhos todos estamos, mas afeição e respeito pelas idéias novas é difícil de achar. A maior parte das pessoas não gosta do desconhecido ou coisas  estranhas então algumas pessoas certas irão se identificar com o que você faz,  e vão de certa forma te entender, mais em algum momento a nossa hora chega. É não desanimar quando descobrir que a maior parte dos grandes artistas só foram reconhecidos depois de mortos, (risos... ) o importante é sempre estar fazendo algo e nunca esquecer quem a gente é e o que a gente quer.



Jana no Hibi com uma prima e suas filhas em Paranapiacaba.


 A artista em ação fotografada por André Astro.


Em 2006 aluna do 2º ano do Ensino Médio com os colegas Fernando Rocha e Vanessa na E.E. Pedro B. Bandecchi nos cliques dessa professora.

Para saber mais:


·                     Jana no Hibi fez o curso de Artes Visuais na Universidade Cruzeiro do Sul em São Miguel Paulista na Zona Leste de São Paulo.Seu curso foi uma licenciatura, o que a tornou professora de Arte.

·                     No curso de Artes Visuais o aluno tem contato com as teorias da Arte e as mais variadas práticas artísticas: pintura, escultura, gravura, xilogravura, fotografia, cinema, etc.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Dom Pedro II - o monarca moderno do Brasil oitocentista:

Uma das figuras mais emblemáticas da história política brasileira é o monarca brasileiro que mais tempo governou o Brasil. Dom Pedro II que esteve à frente do país por 49 anos no longo século XIX. Sua vida foi gerada para o poder. Da concepção à formação tudo foi preparado para que Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, seu nome de batismo, assumisse o trono e a condição política do Brasil.
Nascido no Brasil, foi o único político da monarquia genuinamente brasileiro. Filho de D. Pedro I (do Brasil e IV de Portugal) e D. Leopoldina (arquiduquesa da Áustria), teve como parentes figuras importantes da História do Brasil e do Mundo. Foi sobrinho de Napoleão Bonaparte por parte de mãe e neto de D. João VI e Carlota Joaquina na família paterna. 
Foi o único filho legítimo de D. Pedro I - filhos legítimos são todos aqueles que nascem do casamento de um rei - por isso, seu destino já foi selado como sucessor do pai na Dinastia da Casa de Bragança. Sua mãe só viveu mais um ano após seu nascimento. Assim, o menino foi criado pela madrasta, D. Maria Amélia com quem manteve uma relação de carinho e afeto apesar das circunstâncias.
Com a abdicação do pai em 1831, que abriu mão do trono brasileiro para ocupar o trono português, o infante D. Pedro II - príncipe imperial - tornou-se Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil aos 5 anos de idade. 


1. O menino de nome comprido,  Pedro de Alcântara só para começar,  em meio aos brinquedos que o acompanhariam pouco tempo diante de tantas responsabilidades. A maior delas: conduzir um país.

Com a ida do pai a Portugal,  o pequeno ficou sob a tutela de pessoas da confiança de D. Pedro I,  como José Bonifácio e a Condessa de Belmonte,  além de padres e pessoas da corte sem títulos pomposos. A rotina do garoto era puxada,  com muitos estudos e quase nada de tempo para se dedicar à infância. Com uma inteligência acima da média era bem sucedido nos estudos,  porém,  triste e solitário,  ainda mais após a morte de seu pai em 1834,  o que lhe deixara efetivamente órfão. Isso explica a sua paixão pelos livros que sempre o acompanharam,  sendo seus amigos e refúgio para os dissabores da vida.
Com a crise política instalada no período regencial (disputa de poder para ver quem governava em nome do pequeno Pedro),  a maioridade do monarca foi antecipada e aos 14 anos,  ele assumiu o poder.


2. Em 1941,  para conter a crise política que se instalara no Brasil, Pedro é emancipado aos 14 anos e assume o poder na mais tenra idade.

O muito jovem monarca, bem preparado para o cargo,  por anos de estudos que lhe roubaram a infância, em pouco tempo solucionou os graves problemas políticos do país. Sua dedicação ao trabalho era notável e aparentemente o poder não lhe subiu a cabeça. Trabalhava com imparcialidade e discrição. Em viagem pelas provincias doo Sul do país foi recebido calorosamente pelos súditos.
Nas crises políticas que enfrentou no período de 1848 a 1852 (a primeira dizia respeito ao fim do tráfico negreiro, a segunda a Revolta Praieira e a terceira à Confederação Argentina) soube lidar com os problemas utilizando firmeza e inteligencia, sem o emprego de força desnecessária. Esse seu estilo sério e equilibrado de governar promoveu estabilidade e prestígio. Na década de 1850 o governo brasileiro era visto como respeitador das liberdades de imprensa, constitucional e civil. Um avanço e tanto frente a outras nações de seu período, sobretudo na América do Sul.


3. O jovem governante do Brasil no século XIX buscava a solução de conflitos usando como arma um discurso conciliador.

O jovem imperador se casou muito cedo. Aos 17 anos desposou Tereza Cristina do Reino das Duas Sicilias. O casamento começou mal, com Dom Pedro se sentido enganado. Casou-se por procuração com uma linda mulher representada numa pintura. Ao conhecê-la, viu tratar-se de propaganda enganosa. No entanto, com a convivência o afeto entre os dois cresceu e tiveram um bom relacionamento conjugal. Somente recentemente alguns historiadores descobriram uma relação extraconjugal do monarca com uma mulher de nome Luísa - a Condessa de Barral. O "escândalo" historiográfico manchou a biografia do até então marido exemplar e vendeu um número considerável de revistas especializadas em História nos últimos anos.
De seu casamento nasceram Afonso, Isabel, Leopoldina e Pedro. Os meninos faleceram na infância e a herança do trono ficou para Isabel, que assinou a Lei Áurea mas, jamais assumiu o poder por conta da Proclamação da República em 1889.


3. Apesar da veste suntuosa usada duas vezes ao ano, o imperador gostava da vida simples e não custava caro aos cofres publicos. Ao deixar o poder gastava apenas 0,5% do PIB.

Dom Pedro II era um trabalhador compulsivo e uma pessoa extremamente simples. Amante das artes e das ciências promoveu o quanto pode o conhecimento no país. Fundou a Escola Nacional de Belas Artes e o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Concedeu bolsas de estudos para artistas retratarem a História do Brasil. Os chamados bolsistas do imperador são hoje artistas de renome: Pedro Américo,  Vitor Meireles, entre outros. Foi profundo admirador de filosofia e estabeleceu relações com grandes cientistas de seu tempo. Também admirava as inovações tecnológicas e assim, trouxe ao país novidades como as locomotivas e a fotografia. Um homem moderno oitocentista este foi Pedro II,  imperador do Brasil que até na hora de ser deposto do poder soube sair de cena discretamente até morrer de depressão em Paris, dois anos depois. Uma vida simples, triste e bem conduzida.

domingo, 12 de julho de 2015

Museu Imperial: para entender o cotidiano da família real brasileira


Antiga residência da família real brasileira em Petrópolis - RJ

Como seria se pudéssemos voltar ao cotidiano do século XIX? Mais ainda, como seria mergulhar no cotidiano politico brasileiro? Em Petrópolis, cidade imperial da região serrana do estado do Rio de Janeiro, isso é possível. Na cidade fluminense está o Museu Imperial, instalado na residencia real da cidade.
O museu foi instalado na casa de veraneio de D. Pedro II e família, que subia a serra para fugir do intenso calor do verão carioca. Nos três meses da estação, ele e sua corte se transferiam para a cidade feita em sua homenagem, de clima ameno e natureza exuberante.
Na antiga residência, há um grande pedaço da história brasileira, onde pode-se ver os quadros originais que ilustram muitos livros didáticos de história. Desde 1940, quando foi inaugurado o museu, o visitante pode ter uma ideia do cotidiano da família real brasileira, ao poder visitar os recintos que compunham sua morada.
De pantufas, o visitante tem acesso ao museu que é bem conservado do piso ao teto. Assim, pode conferir de perto o mobiliário, as vestes imperiais de D. Pedro II, as coroas dos dois monarcas brasileiros, a pena de ouro usada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea, relíquias, quadros e até mesmo fotografias dos Orleans e Bragança, e também pode ver instrumentos usados para castigar os escravos no século XIX e assim se confrontar com o momento mais desagradável da nossa história.
Uma viagem no tempo capaz de conduzir ao imaginário de tempos distantes onde o Brasil tinha um sistema de governo completamente distinto do atual e uma sociedade cujos valores em nada se parecem com os nossos, mas que são fundamentais para entender a nossa atualidade.

Para saber mais:
  • É possível visitar virtualmente o museu em: http://www.museuimperial.gov.br/
  • No Museu há obras que mostram o Rio de Janeiro no século XIX e a região serrana do estado do Rio de Janeiro.
  • Há quadros que mostram a Independência e que dão grande destaque a D. Pedro I, pai de D. Pedro II além é claro de mostrar as várias fases do monarca e momentos de intimidade da sua família.
  • Estudantes e professores pagam meia entrada.